quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O gato Óscar e a Estrela Polar



Vivia muito feliz e contente um gato que gostava de fazer traquinices. Adorava brincar com a sua bola de trapo pompom. Óscar, assim se chamava o gato, sentia-se um pouco enfadado, pois todo o dia brincava apenas com a bola. Os seus donos gostavam muito dele. Mas, a maior parte do tempo, estavam ocupados nos seus afazeres. Não tinham tempo para brincar com ele. Assim, o pobre gatinho esperava ansiosamente pelo fim da tarde para poder brincar e fazer traquinices com o filho dos seus donos. Nesse ano, ele ia para a escola. Era a primeira vez que ia para a escola. Andava muito ansioso. Era a mochila, eram os livros, eram os cadernos, eram os lápis, que lhe ocupavam a sua mente. Pouco tempo tinha para brincar com o Óscar. Ou melhor, não se lembrava sequer do gatinho. O gatinho sentia-se sozinho… Mas ele compreendia que o rapazinho andava atarefado. Por isso, só o chamava ao fim da tarde. Nessa tarde, procurou, procurou, mas não encontrou o seu amigo de brincadeira. Tinha ido às compras com os pais, por isso, o gatinho ficou triste a olhar para o céu. Era já fim de tarde. O sol ia dormir. A lua ocupava o seu lugar. No céu, começaram a despontar vários pontos brilhantes. Um dos pontos brilhantes, mas não era o mais brilhante, começou a piscar na direcção do Óscar. Orientado para norte, o nosso gatinho sentia um formigueiro nos olhos. A luz era cada vez mais intensa. De repente, tinha uma pequena estrela à frente dele. Caminhava, pequenina, em direcção a ele. Era a estrela polar. O nosso pobre gatinho eriçou o pêlo com medo. Mas a pequena estrela diminui a intensidade da sua luz e apresentou-se. Disse que era a estrela polar. Que a cada mil anos vinha visitar a Terra em ponto pequeno. Escolheu Óscar, porque o sentiu um pouco triste. Óscar contou-lhe que o menino que brincava aos fins de tarde com ele estava com os pais nas compras e, por isso, sentia-se mais sozinho que triste. Polar contou-lhe que ela pertencia a uma família que os humanos chamam Ursa Menor, porque lhes parecia daqui da Terra uma Ursa pequena. Que a suas irmãs tal, como ela eram muitos antigas. Que raramente se viam, pois, apesar de, da Terra, parecer que estão muito próximas, se encontram a muitos, muitos, a mesmo muitos quilómetros de distância umas das outras. Contou-lhe que existem muitos astros no universo. São planetas, satélites, asteróides, meteoros, cometas e que todos giram em torno de uma estrela. Que muitas estrelas juntas formam as galáxias. E que tudo forma o universo. Contou-lhe a história do aparecimento do sistema solar que surgiu há muito, mas mesmo muito tempo. Conto-lhe que a Terra é azul vista do céu. Que é um dos planetas mais bonitos que já viu. Óscar ouvia com entusiasmo as suas histórias. Ao fim da noite, a estrela teve que ir para o seu lugar no céu. Óscar ficou triste. Polar prometeu que todos os fins de tarde o viria visitar. Óscar apenas queria que ficasse de noite para poder rever a sua amiga. Já não lhe importava se o menino do seu dono vinha ou não brincar com ele. Encontrou novamente a sua companheira de fim de tarde, princípio de noite, no dia seguinte. Só ele podia falar com ela. Por isso, sentia-se importante. Polar contava-lhe histórias de estrelas, cometas, planetas, meteoros e outros astros que existem no céu. O gato deliciava-se a ouvir essas histórias. Ao início do dia, Polar tinha de voltar… A despedida era sempre dolorosa e cheia de saudade. Numa tarde, sem Óscar esperar, o menino veio brincar com ele. Ele fugiu dele. Apesar de entender a fala dos humanos, apesar de ter ouvido que o menino lhe pedia desculpas por não ter vindo brincar nas últimas tardes, Óscar apenas queria estar sozinho e esperar pela sua amiga e pelas suas histórias extraordinárias. No entanto, pensou que os amigos devem ser partilhados. O menino não entendia a linguagem dos gatos, mas percebeu que o seu gatinho estava à espera de alguma coisa que viria do céu. Mais precisamente do céu do norte. Olhando os dois para a mesma direcção viram aproximar-se primeiro uma luz muito intensa e grande e, depois, um pequeno ponto em formato de estrela. Era Polar que vinha. Óscar apresentou o menino à sua amiga. O menino também entendia a linguagem das estrelas! Entendeu tudo o que Polar lhe dizia. Polar explicou-lhe que ele, tal como todos os seres vivos, eram filhos das estrelas e, por isso, conseguiam entender-se. Só não se entendiam entre eles por causa de problemas relacionados essencialmente com a injustiça que os humanos faziam aos outros seres vivos. Assim, desde aquele dia, passaram a conviver e a partilhar histórias. É verdade que a estrela, como mais velha, tinha histórias mais interessantes. Assim, quando vires um ponto brilhante aproximar-se vindo do céu, abre o teu coração. Pode ser que seja uma estrela a querer visitar-te. Talvez seja a própria estrela polar a querer fazer amizade contigo…

A Flor de todas as Cores


A Eva gosta de ver as flores a florir. Todas a flores que encontra são bonitas. Com muito cuidado, planta-as no seu jardim. É esplendoroso o jardim da Eva. Tem flores de todos os feitios e cores: vermelhas, azuis, verdes, rosa, roxas, amarelas, castanhas, pretas e brancas. Desde pequena que anda à procura de uma flor. Essa flor é muito especial. É a flor de todas as cores. Tem procurado por todos os lugares. Ainda não a encontrou. Voou por todo o mundo e nada!
O Ivo é o amigo da Eva. É muito simpático e brincalhão. Adora dormir. Quando não tem nada para fazer, dorme… Quando está acordado, é muito bem-disposto. Faz muitas partidas à Eva. Adora arrumar o lixo. Assim que vê um papel ou qualquer coisa no chão, vai logo apanhar. Gosta de separar por grupos o lixo. Separa os diversos “lixos” por classes. Para um lado, coloca os papéis e os cartões. Para o outro, o vidro. E ainda as embalagens vazias. Adora fazer isto!
O Ivo, em certo dia, estava a dormir quando a Eva se aproximou. A Eva, com muito cuidado, acordou-o. A Eva já anda desesperada! Não conseguia encontrar a flor de todas as cores. Pediu ao Ivo que a ajudasse. Ele, simpático, disse-lhe que não dormiria mais enquanto não a encontrassem. Decidiram ir visitar o Igor.
Igor morava numa casa muito limpinha. Adorava pintar. Quando não estava a arrumar a casa, estava a pintar. Pintava de tudo: flores, montanhas, árvores, casas, cadeiras, mesas, frutas e adorava pintar também o arco-íris. A casa dele estava sempre muito arrumada e limpa. Se quiséssemos entrar nela, tínhamos que descalçar os sapatos. Igor dizia que são os sapatos que trazem a maior parte da sujidade para dentro de casa. Ao chegarem a casa do Igor, Eva e Ivo automaticamente descalçavam-se para entrar. Com muito cuidado, entraram para a sala. Ela encontrava-se muito organizada. Existiam muitas estantes com livros. Cada livro estava no sítio certo e por assuntos. Existiam livros de todas as cores, de todos os lugares, de todos os assuntos. Os amigos discutiram um pouco o assunto da procura da flor de todas as cores com Igor. Igor ficou pensativo… Olhou para os seus livros muito organizados e exclamou:
- Se existe essa flor, ela deve estar descrita em algum dos meus livros.
Procuram, então, em cada um dos livros que tratavam de flores. Existiam vários. Tantos que não conseguiram ver tudo naquele dia. No outro e no outro e ainda no outro dia, continuaram à procura. Ivo já estava cheio de sono. No entanto, tinha prometido à amiga que só dormiria depois de encontrarem a flor de todas as cores. Passados três dias, ao fim da tarde, encontraram num livro que nada tinha que ver com flores uma história de arco-íris que falava da flor de todas as cores. Nesse livro, dizia que a flor só nasce por breves instantes quando aparece o arco-íris. No fim do arco, ela nasce. Se não for transplantada e regada, morre assim que o arco-íris desaparece. Eva ficou muito feliz. Decidiram, então, procurar a flor. Eva transportou por todo o mundo os dois amigos. Estava tão contente que queria encontrar a flor de todas as cores nesse dia. Procuraram, procuram, mas o arco-íris não apareceu. Foram todos descansar para as suas casas. Ivo caiu na cama e adormeceu logo. No dia seguinte de manha, Eva, muito espantada, olhou para fora e estava a cair uma pequena chuva, mas o sol resplandecia. Pensou:
- É hoje que vou encontrar a flor de todas as cores.
De repente, apareceu o Arco-íris. E, muito contente, foi ter com os amigos. Os três procuraram no fim do arco a flor. Lá estava ela. Com muito cuidado, Eva transplantou-a para o seu jardim e regou-a. Era a flor mais bonita do jardim. Eva, Ivo e Igor olhavam para a flor de todas as cores. Parecia um mini arco-íris.