Querido pai natal, eu sei que estas muito ocupado com os presentes nesta época. Já recebestes milhares de cartas, emails e telegramas dos outros meninos a pedirem-te diversos presentes. Chamo-me Quico e gostaria de te contar uma história sobre um menino que já á muito tempo recebe as prendas trocadas.
O nome dele é José. Vive com o seu irmão gémeo que se chama António. O António é muito traquina. Gosta muito de fazer partidas ao irmão. Mas eu acho que com as prendas que tu nos envias não se deve pegar partidas. Cada prenda é destinada a cada menino. Só ele a deve receber e apreciar. No dia de Natal, o António, levanta-se sempre muito cedo, antes do seu irmão José acordar. Troca as etiquetas que tu colocas nas prendas. Imitando a tua letra escreve outras etiquetas. Assim recebe, para além das suas prendas, algumas que são destinadas ao José. Uma maneira de o António deixar de fazer estas partidas ao irmão seria colocares as etiquetas dentro das prendas. Obrigado desde já. É que o José e o António são meus amigos. Por isso não posso contar ao José a partida que o irmão lhe faz todos os anos pelo Natal.
Não sei se ainda te lembras do meu nome? Eu chamo-me Quico e gostava que não te esquecesses de mim. Vou contar-te um pouco como correu o meu ano. Tive um comportamento irregular (umas vezes portei-me muito bem e outras muito mal) ao longo deste ano. Sei que em determinadas alturas me excedi (ultrapassei o limite) com os amigos e com a minha professora. Fiz algumas birras. Mas como já ouvi alguns adultos dizerem é próprio da minha idade. Sei reconhecer quando estou errado. Imediatamente peço desculpa. Por vezes choro um pouco pois não quero magoar os meus amigos e muito menos a minha professora, de quem eu gosto muito. A minha mãe por vezes ralha comigo em especial quando estou a comer. Sabes, demoro muito tempo a comer. Claro, só quando não gosto da comida que no entanto a minha mãe me diz que faz bem e me ajuda a crescer. Quando é pizza e lasanha rapidamente como. Gosto muito da comida italiana.
Fica já a saber que gosto muito de Bakugans. E perguntas tu o que é isso? É um novo divertimento que, nós os miúdos, temos para nos entreter quando estamos no recreio. O Jogo “Bakugan” ou “Esfera Explosiva” (Baku = explodir + Gan = esfera) traz pequenas esferas que se transformam em criaturas guerreiras que podem salvar a Terra. Repara na fotografia ao lado.
Uma vez fiz uma aposta com dois dos meus amigos. Se levasse uma “faca” (sim estas a ler bem, uma faca!) para a escola eles davam-me quatro esferas “Bakugans” para eu brincar com eles. E perguntas tu, novamente, para que é queriam eles a faca? Nunca soube, pois fui apanhado. Enquanto a minha mãe e o meu irmão estavam na sala a preparar-se para irem para a escola eu fui a cozinha tirar a faca e coloquei na minha mochila dos brinquedos. Não disse nada a minha mãe. Eu sei que fiz mal. Devia ter pedido á mama se podia levar a faca ou não. Mas não o fiz. No percurso da escola ainda tive oportunidade de o dizer. Não o fiz. Sei agora que tinha tido uma segunda oportunidade e não a aproveitei. Na escola quando a mostrei aos meus dois amigos eles foram contar aos outros amigos. Isto espalhou-se e chegou aos ouvidos da responsável por nós enquanto a professora não chegava. Quando a professora chegou ficou muita zangada comigo e disse-me que iria contar aos meus pais. Contei-lhe então tudo o que tinha planeado como os meus amigos. A professora explicou-me que não devia fazer isto. Que antes de trazer alguma coisa de casa devia pedir a mãe. Contou a minha mãe e ela pôs-me de castigo. Durante uma semana não podia trazer brinquedos para o colégio. Na altura pedi desculpa a todos. O meu pai que mora noutra casa também ficou zangado comigo.
Querido Pai Natal, apesar de tudo eu sou um menino bem comportado pois também faço coisas boas. Ajudo os colegas que tem dificuldades e defendo-os quando não fizeram nada. Explico a professora que eles estiveram ocupados a fazer outras coisas tais como desenhos ou trabalhos a brincar para descomprimir pois ser menino é muito cansativo mas divertido. Ser criança não é fácil, sabes! Deixo-os também brincar com os meus brinquedos, converso com eles, de vez em quando faço umas “asneirinhas” porque digo os resultados dos problemas aos meus colegas. É traquinice minha mas não é maldade. Certo!
Em casa vejo televisão e ajudo a mãe a limpar a louça e a arrumar a roupa. Já tomo banho sozinho! O que é uma grande ajuda para a mãe. Quando chego a casa piro-me para a sala e ligo a televisão. Sou mesmo espertalhão. Mas quando ligo logo a televisão a minha mãe chama-me para comer. Isso é muito aborrecido. Fico na dúvida se devo ir ou não. Mas eu sei que devo obedecer aos adultos. Mas o que eu quero mesmo é ver televisão. E não preciso de comer. Ou melhor eu tenho de comer senão não cresço e morro.
Querido Pai Natal, esta carta já vai longa. Vou contar-te uma maneira que a minha professora tem para nos avaliar semanalmente. O sistema que usa é o das estrelas. Ela, tem cinco estrelas para cada um: comportamento, trabalho e amigos. Por exemplo esta semana tive cinco estrelas no trabalho, uma estrela no comportamento e quatro estrelas nos amigos. O meu pior desempenho é no comportamento. Aconteceu uma situação na sexta-feira que me fez perder três estrelas. Uma das minhas colegas estava no quadro, no final das actividades, a fazer um desenho quando uma das responsáveis disse para arrumar as coisas. Eu pensando que ela não tinha ouvido fui apagar o desenho dela. Sei agora que fiz mal. A minha colega ficou chateada e fez outra vez o desenho. Eu disse-lhe que era para arrumar e apagar o desenho. Mas ela e um colega começaram a puxar-me e a empurra para continuarem a fazer o desenho. Depois eu fiquei muito zangado e decidi bater na colega. O meu colega pôs-se a frente e disse: Oh! Não bates na minha colega. E começamos a lutar. A minha colega começou a chorar. A professora ouviu e disse-me para ir buscar o caderno. E assim tirou-me três estrelas do comportamento. Disse-me que não devia ter batido na minha colega. Eu concordei com ela. Esta situação ainda agora que te estou a escrever me faz chorar. Prometi a min mesmo que não faria mais isso. Sabes, eu sou um pouco impulsivo. E acho que devo tentar controlar isso.
De tudo o que te contei, acho que me considero um bom menino, amigo e responsável. Não gosto que haja injustiças. Por vezes tenho reacções que depois me arrependo. Mas sempre que me explicam que não se deve fazer determinadas coisas eu compreendo-as e tento não repeti-las. Mas sabes como é que um menino de sete anos reagem não é. Espero que compreendas e me envies algumas prendas que aches adequadas.
P.S: A já agora, lembrei-me de uma prenda que me envias-te a uns anos. Era um comando de televisão universal. Gostei da piada. És um brincalhão. Pareceu-me na altura que tu tinhas tido uma conversa com o meu pai. Ele tinha-me dito, cansado de estar sempre a comprar comandos para a televisão, este ano o Pai Natal vai-te enviar um comando de televisão só para ti.
Um beijo grande deste menino que gosta muito de ti.
Quico
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Carta ao Pai Natal I
Querido Pai Natal
O meu nome é Vitinha. Sou um menino muito traquina. Sou também muito brincalhão. Gosto muito de brincar com os meus amigos no recreio do colégio. Na sala de aula gosto em especial de fazer os trabalhos de língua portuguesa. Também gosto de fazer os trabalhos de matemática. Eu hoje estou-te a escrever esta carta para me conheceres melhor e te pedir algumas prendas. Eu sei que andas muito ocupado. Todos os meninos te pediram prendas. E tu tens que decidir quais deles é que podem receber prendas. Espero que eu também tenha direito a alguma das tuas prendinhas.
No colégio uns dias porto-me bem e outros não. As traquinices que faço, são do género de não realizar os trabalhos a tempo e horas. Estou com a cabeça no ar. Estou a pensar na fada dos dentinhos e em ti. Outras vezes estou a pensar no recreio e no que lá vou fazer. Gosto muito de correr atrás dos meus colegas. Jogar “a apanhada” e “as escondidas”. A professora, esta sempre a avisar-me se não fizer os trabalhos, não vou ao recreio. Ai, acordo das minhas viagens e recomeço a trabalhar. Outras traquinices que me lembro, são as lutas que as vezes faço com os outros colegas. Sei que não devo fazer isso. Podemo-nos magoar.
Em casa ajudo a minha mãe a limpar a louça, faço a cama e arrumo os meus brinquedos e a roupa. Já é muita coisa para um menino de sete anos. Não achas? Gosto muito de brincar com o meu irmão e a minha irmã. Eles são muito amorosos. Ajudam-me a fazer os deveres de casa e a entender algumas coisas que não sei. Outras vezes a minha irmã é muito má. Ela bate-me quando estamos a jogar. Sabes, eu sou um pouco batoteiro. Quero sempre ganhar os jogos. As vezes, invento regras de jogo para assim poder ganhar. Os meus irmãos não gostam nada. Faço birras se não ganhar. Eu sei que não devo fazer isso. Mas eu ainda sou pequeno. E a minha irmã em especial deveria ter isso em conta, e podia deixar-me ganhar algumas vezes.
Eu sei, aprendi na catequese, que no dia vinte e cinco de Dezembro é o Natal. Que nesse dia comemoramos o nascimento no Menino Jesus. Foi um menino que nasceu muito pobrezinho. Nasceu num estábulo ao pé de alguns animais. Disseram-me que estavam lá uma vaca e um burro. Era filho da Virgem Maria de São José. Nasceu em Belém e os Reis Magos (Reis de terra muitos distantes) foram visita-lo oferecendo-lhe presentes. Como esse menino era muito bondoso, acho que foi ele que te criou para dares presentes aos meninos que se tenham portado bem durante o ano. Acho que tudo aconteceu assim. Depois do menino Jesus ter crescido e feito o bem a todos. Decidiu antes de morrer que os meninos de todo o mundo a partir dessa data deveria ter um premio no dia de Natal. Assim escolheu um velhinho para ter essa tarefa. Esse velhinho és tu. Como Jesus era mágico deu-te vida eterna (por isso é que não morres). Acho que só irás morrer se não houver meninos a portarem-se bem nesse ano (espero que isso nunca aconteça). Deu-te também vários poderes mágicos. Alguns deles, eu conheço. Podes voar com o teu trenó puxado por renas voadoras. Tens um saco pequeno aparentemente mas que cabem lá todos os presentes. Consegues sem abrir a porta entrar nas casas pela chaminé. És muito gordo (acho que na altura do natal engordas mais). Deixam-te para tua comeres leite e bolachas e tu tens que as comer todas. Estou a imaginar o esforço que tens de fazer para comer todas as bolachas e copos de leite que todos os meninos te deixam. Acho que os teus ajudantes, os duendes da neve, devem também ajudar-te nessa tarefa. Deves ter também um relógio que faz parar o tempo. Não seria possível distribuíres os presentes pelo mundo todo se não parasses o tempo.
Espero que me visites este Natal tal como o tens feito todos os anos. Este ano só teu vou deixar um copo de leite para não ficares tão gordo. Aconselho-te a fazer exercício físico e a dormir bem para ficares em forma. Poderás comer maças para não te constipares.
Um beijinho do Vitinha.
PS: As prendas ficam ao teu critério. Se achares que mereço envia-me algumas que eu gostaria de receber.
O Nuno e os seus amigos Pula-PuKa e Resmungão
Era uma vez um menino chamado Nuno. Vivia numa quinta de uma terra muito longe daqui que se chama Austrália. Vivia juntamente com os seus pais e avós. Um dia o Nuno encontrou perto de sua casa um pequeno canguru doente. Teve muita pena dele. Perguntou a mãe se podia cuidar dele até ele ficar bom. Deu-lhe logo o nome de Pula-Puka. O Nuno gostava tanto do Pula-Puka que, todos os dias de manha o ia visitar antes de ir para a escola. Certo dia a mãe pediu ao Nuno para ir buscar lenha e pinhas á floresta próxima. Quando andava nos seus afazeres encontrou um pequeno lago onde habitava (que quer dizer morava) um velho Sapo. O Sapo era conhecido já dos seus avós por Resmungão.
- Baabooo , Baaboo eu sou o sapo resmungão. Sou muito velho. E muito resmungão. Baaboo , Baaboo, Baaboo. O que tu queres daqui?
- Oh! Não sabias que falavas! Eu já tinha ouvido falar de ti. Tinham-me dito que eras resmungão. Mas não sabia que eras assim tanto.
- Baaboo , baaboo mas o que queres tu daqui, o rapaz tonto?
- Eu quero que me digas como é que consegues entender a linguagem das pessoas? E como é que consegues falar também?
- Baaboo , baaboo então não sabes. Eu sou um mago desta floresta que uma bruxa malvada transformou em sapo. Baaboo, baaboo baaboo. Disse o sapo resmungão já muito zangado.
- Então porque é que a bruxa te transformou? Fizeste alguma maldade? Disse o Nuno.
Mas o Nuno pensou que era a bruxa que devia ser a malvada, sempre lhe tinham dito que as bruxas são más. Reformulando a pergunta (quer dizer fez a pergunta de outra forma) perguntou ao mago sapo.
- Porque é que a bruxa má te transformou em sapo? Ela deve ser muito má!
- Baaboo, baaboo! Eu andava nos meus afazeres (quer dizer a fazer o que devia fazer) que era o de fazer poções mágicas para que as plantas dêem flor. Cada vez que uma planta é regada pela poção mágica imediatamente flore-se. Quem as rega é o Sapo Feliz meu amigo. Andava eu muito contente e de repente apareceu a Valquíria a bruxa malvada que não gosta nada de flores. Ao olhar para o Sapo Feliz e para mim transformou-me em sapo também. E de repente comecei a fazer como os sapos fazem Baaboo, baaboo baaboo!
- Agora já entendo porque estas de mau humor. Então e não há nenhuma forma de desfazer esse feitiço e transformar-te novamente em mago? É que eu gostaria de ver a floresta toda florida e sem ti para fazer a poção mágica não é possível.
- Há uma forma. Só que é muito difícil. Quando aparece o arco-íris a bruxa transforma-se em estátua. Assim imóvel (quer dizer que não se pode mexer) não é muito difícil procurar na sua bolsa o anti-feitiço (quer dizer outro feitiço que desfaça o primeiro) que está num saquinho muito pequeno. Com ele posso voltar a ser mago. Mas só uma pessoa valente e corajosa é que poderá tirar da bolsa da bruxa o anti-feitiço.
- Mas isso é assim tão difícil! Não me parece. Eu próprio posso fazer isso! Disse o Nuno cheio de coragem.
- Baaboo baaboo baaboo baaboo! O nosso amigo sapo até se engasgou de felicidade. E disse mais não quantas vezes baaboo, baaboo!
Assim ficou combinado. Quando aparecesse o arco-íris o Nuno se encarregaria de ir buscar o anti-feitiço á bolsa da bruxa. O Nuno já quase se tinha esquecido do recado que a mãe lhe tido dado. Muito apressadamente procurou alguns ramos e pinhas e foi rapidamente para casa. Os dias passaram e de vez enquanto o Nuno ia visitar o seu amigo Resmungão. Passavam horas a fio a conversar. Conversavam sobre o sapo feliz e o Pula-PuKa. Do primeiro ninguém mais o tinha visto. Do segundo a cada dia que passava melhorava. Num certo dia o Pula-PuKa foi também visitar o Resmungão junto com o Nuno. Ficaram logo amigos. Enquanto o Nuno procurava ramos e pinhas o Resmungão subia para o dorso (quer diz costas) do Pula-Puka e faziam grandes correrias.
Nestes entretanto, a bruxa andava atarefada a fazer maldades. Uma das suas maldades preferidas era transformar uns animais noutros. Assim, colocava assas nos coelhinhos e orelhas grandes nos passarinhos. Os passarinhos com as grandes orelhas não conseguiam voar e os coelhinhos com as assas não conseguiam saltar. Era uma grande maldade e a bruxa ria-se ao ver os pobres animais aflitos.
-Ih, Ih, Ih! Sou muito maldosa ih, ih, ih! Dizia a bruxa com a cara e a boca feia como só as bruxas têm.
Ela transformava os animais em duendes e os duendes em animais. Nenhum sabia o que fazer.
Ma o dia do fim destas maldades chegou. Era um dia cheio de sol. Uma nuvem muito escura tinha-se aproximado da floresta onde os nossos amiguinhos viviam. Nuno encontrava-se em casa a fazer os deveres da escola. Olhou para a janela do seu quarto e deu um pulo de alegria.
- Hoje vai aparecer o arco-íris. Hoje vai ser o fim das maldades da bruxa da floresta. Exclamou ele ao mesmo tempo que vestia um casaco e descia as escadas de dois em dois degraus.
A mãe ainda lhe perguntou onde ia, mas Nuno apressadamente respondeu que tinha que ajudar um amigo da floresta.
Chamou o Pula-Puka e os dois foram correndo (claro o Nuno a correr e o Pula-Puka a salta) a caminho do pequeno lago onde Resmungão morava. Em três tempos começou a chuviscar. As pequenas gotas de água tornaram-se ainda maiores. O arco-íris fez a sua aparição. Resmungão que apesar de estar na forma de sapo não tinha perdido todos os seus poderes mágicos. Para ale de ter o poder de fazer a poção magica para criar flores, ainda tinha o poder de saber onde estavam todos. Disse para o Nuno:
- Baaboo, baaboo! A bruxa está em estátua ao pé do monte das nogueiras do Esquilo sonhador. Vai lá rapidamente e traz-me o anti-feitiço por favor.
Nuno e Pula-Puka foram imediatamente ao sítio que já conheciam de outras visitas á floresta. Para serem mais rápidos o Nuno subiu para o dorso do Pula-Puka. E de salto em salto rapidamente encontraram a bruxa imóvel. Com muito cuidado retiraram da sua bolsa o anti-feitiço. De salto em salto voltaram para o pé do Resmungão. Sem perder tempo lançaram o pó que estava no pequeno saquinho por cima dele. Imediatamente o Resmungão mudou de aparência (ou seja voltou ao normal). Mudaram de aparência também todos os outros animais. A pobre bruxa ficou feita em estátua para todo o sempre. Parecia uma árvore velha ressequida e retorcida, como aquelas que por vezes vemos nas florestas e que por vezes ao escurecer nos assustam. Assim sempre que encontrarem uma velha árvore retorcida no meio da floresta ela é a bruxa má que em tempos apavorou essa floresta. Sim que todas as florestas tem uma bruxa má. Se não encontrarem essa árvore retorcida e a floresta não tiver nenhuma flor na altura da primavera ou os animais andarem escondidos é por que ainda anda a solta a bruxa má dessa floresta.
Quanto aos nossos amiguinhos o Resmungão voltou a ser o fazedor de poção mágica fazendo com que a floresta florisse todas as primaveras. O Pula-Puka ficou muito melhor e cresceu. Um certo dia despediu-se dos seus amigos e foi viver para uma terra distante onde viviam os seus familiares cangurus. Quanto a Nuno sempre que podia ia visitar o seu amigo Resmungão.
- Baabooo , Baaboo eu sou o sapo resmungão. Sou muito velho. E muito resmungão. Baaboo , Baaboo, Baaboo. O que tu queres daqui?
- Oh! Não sabias que falavas! Eu já tinha ouvido falar de ti. Tinham-me dito que eras resmungão. Mas não sabia que eras assim tanto.
- Baaboo , baaboo mas o que queres tu daqui, o rapaz tonto?
- Eu quero que me digas como é que consegues entender a linguagem das pessoas? E como é que consegues falar também?
- Baaboo , baaboo então não sabes. Eu sou um mago desta floresta que uma bruxa malvada transformou em sapo. Baaboo, baaboo baaboo. Disse o sapo resmungão já muito zangado.
- Então porque é que a bruxa te transformou? Fizeste alguma maldade? Disse o Nuno.
Mas o Nuno pensou que era a bruxa que devia ser a malvada, sempre lhe tinham dito que as bruxas são más. Reformulando a pergunta (quer dizer fez a pergunta de outra forma) perguntou ao mago sapo.
- Porque é que a bruxa má te transformou em sapo? Ela deve ser muito má!
- Baaboo, baaboo! Eu andava nos meus afazeres (quer dizer a fazer o que devia fazer) que era o de fazer poções mágicas para que as plantas dêem flor. Cada vez que uma planta é regada pela poção mágica imediatamente flore-se. Quem as rega é o Sapo Feliz meu amigo. Andava eu muito contente e de repente apareceu a Valquíria a bruxa malvada que não gosta nada de flores. Ao olhar para o Sapo Feliz e para mim transformou-me em sapo também. E de repente comecei a fazer como os sapos fazem Baaboo, baaboo baaboo!
- Agora já entendo porque estas de mau humor. Então e não há nenhuma forma de desfazer esse feitiço e transformar-te novamente em mago? É que eu gostaria de ver a floresta toda florida e sem ti para fazer a poção mágica não é possível.
- Há uma forma. Só que é muito difícil. Quando aparece o arco-íris a bruxa transforma-se em estátua. Assim imóvel (quer dizer que não se pode mexer) não é muito difícil procurar na sua bolsa o anti-feitiço (quer dizer outro feitiço que desfaça o primeiro) que está num saquinho muito pequeno. Com ele posso voltar a ser mago. Mas só uma pessoa valente e corajosa é que poderá tirar da bolsa da bruxa o anti-feitiço.
- Mas isso é assim tão difícil! Não me parece. Eu próprio posso fazer isso! Disse o Nuno cheio de coragem.
- Baaboo baaboo baaboo baaboo! O nosso amigo sapo até se engasgou de felicidade. E disse mais não quantas vezes baaboo, baaboo!
Assim ficou combinado. Quando aparecesse o arco-íris o Nuno se encarregaria de ir buscar o anti-feitiço á bolsa da bruxa. O Nuno já quase se tinha esquecido do recado que a mãe lhe tido dado. Muito apressadamente procurou alguns ramos e pinhas e foi rapidamente para casa. Os dias passaram e de vez enquanto o Nuno ia visitar o seu amigo Resmungão. Passavam horas a fio a conversar. Conversavam sobre o sapo feliz e o Pula-PuKa. Do primeiro ninguém mais o tinha visto. Do segundo a cada dia que passava melhorava. Num certo dia o Pula-PuKa foi também visitar o Resmungão junto com o Nuno. Ficaram logo amigos. Enquanto o Nuno procurava ramos e pinhas o Resmungão subia para o dorso (quer diz costas) do Pula-Puka e faziam grandes correrias.
Nestes entretanto, a bruxa andava atarefada a fazer maldades. Uma das suas maldades preferidas era transformar uns animais noutros. Assim, colocava assas nos coelhinhos e orelhas grandes nos passarinhos. Os passarinhos com as grandes orelhas não conseguiam voar e os coelhinhos com as assas não conseguiam saltar. Era uma grande maldade e a bruxa ria-se ao ver os pobres animais aflitos.
-Ih, Ih, Ih! Sou muito maldosa ih, ih, ih! Dizia a bruxa com a cara e a boca feia como só as bruxas têm.
Ela transformava os animais em duendes e os duendes em animais. Nenhum sabia o que fazer.
Ma o dia do fim destas maldades chegou. Era um dia cheio de sol. Uma nuvem muito escura tinha-se aproximado da floresta onde os nossos amiguinhos viviam. Nuno encontrava-se em casa a fazer os deveres da escola. Olhou para a janela do seu quarto e deu um pulo de alegria.
- Hoje vai aparecer o arco-íris. Hoje vai ser o fim das maldades da bruxa da floresta. Exclamou ele ao mesmo tempo que vestia um casaco e descia as escadas de dois em dois degraus.
A mãe ainda lhe perguntou onde ia, mas Nuno apressadamente respondeu que tinha que ajudar um amigo da floresta.
Chamou o Pula-Puka e os dois foram correndo (claro o Nuno a correr e o Pula-Puka a salta) a caminho do pequeno lago onde Resmungão morava. Em três tempos começou a chuviscar. As pequenas gotas de água tornaram-se ainda maiores. O arco-íris fez a sua aparição. Resmungão que apesar de estar na forma de sapo não tinha perdido todos os seus poderes mágicos. Para ale de ter o poder de fazer a poção magica para criar flores, ainda tinha o poder de saber onde estavam todos. Disse para o Nuno:
- Baaboo, baaboo! A bruxa está em estátua ao pé do monte das nogueiras do Esquilo sonhador. Vai lá rapidamente e traz-me o anti-feitiço por favor.
Nuno e Pula-Puka foram imediatamente ao sítio que já conheciam de outras visitas á floresta. Para serem mais rápidos o Nuno subiu para o dorso do Pula-Puka. E de salto em salto rapidamente encontraram a bruxa imóvel. Com muito cuidado retiraram da sua bolsa o anti-feitiço. De salto em salto voltaram para o pé do Resmungão. Sem perder tempo lançaram o pó que estava no pequeno saquinho por cima dele. Imediatamente o Resmungão mudou de aparência (ou seja voltou ao normal). Mudaram de aparência também todos os outros animais. A pobre bruxa ficou feita em estátua para todo o sempre. Parecia uma árvore velha ressequida e retorcida, como aquelas que por vezes vemos nas florestas e que por vezes ao escurecer nos assustam. Assim sempre que encontrarem uma velha árvore retorcida no meio da floresta ela é a bruxa má que em tempos apavorou essa floresta. Sim que todas as florestas tem uma bruxa má. Se não encontrarem essa árvore retorcida e a floresta não tiver nenhuma flor na altura da primavera ou os animais andarem escondidos é por que ainda anda a solta a bruxa má dessa floresta.
Quanto aos nossos amiguinhos o Resmungão voltou a ser o fazedor de poção mágica fazendo com que a floresta florisse todas as primaveras. O Pula-Puka ficou muito melhor e cresceu. Um certo dia despediu-se dos seus amigos e foi viver para uma terra distante onde viviam os seus familiares cangurus. Quanto a Nuno sempre que podia ia visitar o seu amigo Resmungão.
A Prenda
Naquela sexta feira ao fim da tarde havia uma azáfama muito grande na casa da Joana. A mãe a correr pelo corredor perguntava a tia Beta: A encomenda da pastelaria do tio Zé. Será que já esta pronta? Deve estar! O tio Zé é um bom pasteleiro e não nos vai deixar mal. Disse a tia Beta.
A Joana ainda estava na escola. Mas já adivinhava que iria ter uma festa quando chegasse a casa. Era o seu aniversário. Na escola os colegas tinham-lhe dado os parabéns. Fazia oito anos. Já a um ano que não fazia anos! Gostava sempre do dia do seu aniversário. Era nesse dia o centro das atenções. Ainda mais o centro das atenções. Gostava dos elogios que recebia: Joana esta mais alta; Que crescida que estas; Já estás uma senhora.
Joana era uma menina muito voluntariosa. Quando a professora lhe dizia para fazer uma redacção, ela fazia-a com desembaraço. Quando noutras alturas tinha que fazer “contas” de somar ou de subtrair ela também as fazias rapidamente. No entanto, a maioria das vezes estavam erradas. Na ânsia de ser a primeira a fazer as coisas não tomava atenção as regras de somar e de subtrair nem as regras de escrita. Ficava muito zangada por se ter enganado! Não ela ficava zangada mas porque a professora lhe dizia que estava errada. Era uma menina muito presunçosa.
Naquele dia a professora tinha comunicado a turma que deveriam fazer uma redacção cujo tema era o aniversário. Hoje, meninos vão fazer uma composição que tem como tema o aniversário. Cada um vai fazer uma descrição do seu dia de aniversário. Devem dizer como correu o vosso dia de aniversário. Professora? O meu aniversário é hoje! Disse a Joana toda inchada. Eu sei que é, Joana. Mas como ainda não acabou o teu dia vais fazer a descrição do teu dia de anos do ano passado. Poderão por como titulo o meu sétimo aniversário. Professora? Mas eu já fiz oito anos! Disse o Pedrinho. Então escrevam sobre o último dia de anos. Esta bem?
Todos os meninos começaram a fazer a sua composição, menos a Joana. De cabeça no ar pensava como será hoje o seu bolo de anos. Que prendas iria receber dos tios e dos pais. E nada a fazia concentrar. No mundo da lua a encontrou passado algum tempo a professora. Joana? Então não começas a composição? Deixa de estar a pensar no dia de hoje e faz a composição que eu mandei. Sim professora. Disse a Joana.
Mas na cabeça da Joana apenas passavam ideias: como será o bolo? Que prendas irei receber? Que surpresas irei ter ao chegar a casa?
O tempo foi passando e a Joana nem uma linha ainda tinha escrito. O Pedrinho, da carteira de traz disse-lhe: Joana escreve a composição se não a professora zanga-se contigo. E não vais ao recreio! Está calado. Deixa-me em paz. Tenho mais em que pensar. Depois diz que eu não te avisei?
Joana continuava com as suas ideias. E pensou que não devia convidar novamente este ano o Pedrinho para o seu aniversário. Ele estava sempre a importuna-la com coisas. Era um chato.
Chegou a hora do recreio e a Joana, tal como o Pedrinho lhe tinha dito, teve que ficar na sala a fazer a composição. Viu todos os seus colegas ir brincar. Ela também gostava de brincar. Em especial quando fazia de princesa com as suas amigas. Ou então quando era ela a mandar fazer coisas aos outros. Fazia todos os possíveis por ser ela a escolher os jogos. Era ela que liderava as brincadeiras. Por vezes inventava jogos só para ser o centro das atenções. Era sempre ela, a que escolhia as brincadeiras. Se não fosse assim não jogava. Os seus amigos deixavam-na. Não queriam que ela ficasse sozinha num canto. A professora tinha-os ensinado a não deixar ninguém fora das brincadeiras. Todos tinham aprendido de forma correcta esse ensinamento. A Joana também tinha aprendido, mas a sua maneira. Fazia já chantagem com os seus colegas. Eles inocentes seguiam-na para todo o lado. A professora não se apercebia disso. Nesse dia os colegas ficaram desorientados. Não sabiam que jogos fazer. Era sempre a Joana que os incentivava a fazer um jogo e não outro. Era ela sempre que mandava nos outros. Nesse dia no entanto a Joana tinha que ficar sem recreio pois não tinha cumprido a tarefa.
Sozinha na sala, Joana sentiu-se pouco a vontade. Nunca tinha estado sem recreio. Pensou que a professora tinha sido severa demais consigo. Por apenas não ter feito a redacção. Lembrou-se que há uns dias atrás se tinha zangado com a Paula por não ter feito aquilo que ela queria. Empurrou-a com tanta força que a pobre rapariga caiu e partiu um dente. Quando a professora chegou todos os seus colegas disseram que a Paula tinha caído quando andava a correr. Tinham dito isso para não ver a Joana de castigo. Não esperava outra coisa deles. Caso não tivessem feito isso, não os convidava para a sua festa. E eles queriam ir muito a festa. Só o Pedrinho não tinha dito nada. Esteve calado todo o tempo. Nem mesmo quando a Paula foi levada para o centro de saúde, nada disse também. No entanto nesse dia mais tarde ouviu-o comentar com os outros colegas que aquilo não se fazia. Que estavam a ser mentirosos e que ela estava ser muito egoísta e mentirosa por não ter contado a verdade nem ter deixado ninguém contar a verdade. Mais uma vez o chamou de chato e disse-lhe que por isso não o convidava para a festa.
Sozinha e não sabendo como fazer a redacção foi á carteira do Pedrinho para lhe rasgar a redacção. Reparou que a letra era muito bem-feita. E começou a ler.
“ Vou contar em poucas palavras o meu sétimo aniversário. De manha quando acordei ao som do despertador a minha mãe já estava ao pé de mim para me dar os bons dias e me desejar um feliz aniversário. Nesse dia trouxe-me o pequeno-almoço a cama. Era um pouco melhor que o dos outros dias. Tive direito a leite com chocolate e pão com fiambre e manteiga. Contou-me, como sempre a mesma história. Que o meu pai era muito trabalhador. Que um dia foi para o mar e nunca mais voltou. Que ela não esta zangada com o mar. Apenas tinha é saudades do meu pai. Abraçamo-nos e fomos cada um para os nossos afazeres. Ela para a pasteleira do tio Zé e eu para a escola! Na escola a única que me dei os parabéns foi a professora. Era a única que sabia que eu fazia anos. Fiz todos os deveres da escola o mais rápido possível. Depois fui para a pasteleira ajudar no melhor que sabia a minha mãe. A noite tive direito aos bolos que não se venderam e que o Tio Zé ofereceu a minha mãe porque ela lhe tinha contado que eu fazia anos nesse dia. Foi assim o meu sétimo aniversário! “
Joana ficou comovida com a redacção do Pedrinho. Pensou no presente que Pedrinho lhe tinha oferecido o ano passado por altura do seu aniversário. Era apenas um pequeno cartão feito por ele a partir de um cartão velho e onde colou um desenho do mar e um barco de pesca e algumas gaivotas a esvoaçar. Nele tinha escrito com uma letra bonita “Feliz aniversario Joana”. Lembrou-se que não o tinha convidado para a festa e que ao chegar a casa tinha deitado fora o cartão. Sem hesitar pousou o papel da redacção e foi a correr para o recreio. Fez o convite ao Pedrinho. Ele sentiu-se feliz. Ia a um aniversário a serio.Com prendas e tudo. E com um bolo de aniversario enorme. Pensava ele, tendo em conta o número de meninos que iam estar lá. Desatou a correr para dentro da sala. Joana atrás dele sentia-se feliz também. Pedrinho tirou de dentro da sua sacola o cartão que tinha feito e entregou-o a Joana. Ela agradeceu. Voltaram outra vez para o recreio. Joana não se lembrou mais da composição. Mas o que aprenderá era mais importante que a redacção. A professora tinha sem querer presenciado toda a cena. E como já tinha lido a redacção do Pedrinho nada disse. Quando recreio acabou a Joana tinha um trabalho extra. Duas redacções para fazer em casa. Uma do seu sétimo aniversário e outra do seu oitavo aniversário. A partir desse dia Joana tornou-se menos presunçosa e um pouco mais atenciosa para com os seus colegas. E quando exagerava bastava olhar para Pedrinho para ver que estava a fazer mal. Imediatamente corrigia-se.
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