
Naquela ilha longínqua, que é uma porção de terra rodeada por mar por todos os lados como sabem, vivia tranquilamente um esquilo detective. Ele entretinha-se a procurar pistas de todos os tipos. Pistas para procurar nozes, pistas para procurar avelãs, pistas de objectos reluzentes e não só para levar para a sua casa. Os objectos que encontrava, os que não eram comestíveis, serviam para fazer as mais diversas coisas. Por exemplo, um dia encontrou, a boiar na praia, uma garrafa de plástico vazia. Com ela, fez uma prancha para o seu amigo: o esquilo surfista. Outro dia, encontrou uma lata de conserva e, colocando-lhe um mastro e uma vela, fez um pequeno barco para o seu amigo: o esquilo marinheiro. Tinha muitas qualidades este nosso esquilo. Mas o que lhe dava mais prazer era procurar pistas para encontrar uma determinada coisa. Os seus amigos procuravam-no pelos dotes que tinha em encontrar coisas. Desde as mais simples e que facilmente as encontrava. O caso dos óculos do seu amigo, o esquilo escritor. Facilmente os encontrou, pois estavam na testa do próprio. E, como o esquilo escritor era pitosga, não conseguiu vê-los. A situação em que precisou de se apurar nos seus dotes foi quando teve de encontrar a serra do seu amigo, o esquilo carpinteiro. Começou por fazer inicialmente um inquérito, questionando o esquilo carpinteiro:- Quando foi a última vez que viu a serra?
- O que estava a fazer nessa altura?
- Onde estava?
- Como estava a utilizar a serra? Etc.
Ufa!!! Depois de tudo verificado e de tudo explicado, seguiu as pistas e deu com ela no fundo da caixa de ferramentas. O esquilo carpinteiro tinha pedido ao seu filho que arrumasse as ferramentas do pai. O filho, obediente, tinha feito tão bem o serviço que, vendo que a serra era bastante perigosa, tinha-a embrulhado numa folha de árvore resistente e tinha-a colocado no fundo da caixa. Qualquer um, olhando para a caixa, não pensaria que aquela folha de árvore continha a serra. Mas o nosso esquilo detective sim. Tinha olho clínico para estas coisas. E o seu poder dedutivo era impressionante.
Um dia, encontrou um barquinho triste na areia da praia. O pobre barquinho não conseguia navegar. Faltava-lhe uma pequena peça que era o lema. Tinha-o perdido algures no meio do mar. O esquilo prometeu-lhe que iria colocar à sua disposição as suas capacidades de detective. Assim, com a ajuda de uma lupa, foi vasculhando toda a praia à procura do pequeno leme. Procurou, procurou, mas não encontrou o leme… Já desesperado, estava pronto a desistir quando pensou que o leme era uma peça que não flutuava no mar. Então, só poderia estar no fundo do mar. Mas o nosso esquilo tinha medo da água. Vestiu o seu fato de mergulho e, com muito cuidado, foi procurando próximo da praia. Nada encontrou. Foi indo cada vez mais fundo. O pobre esquilo cada vez tinha mais medo. Não gostava mesmo de água. Nestas andanças, o nosso esquilo foi encontrando varias coisas: garrafas de vidro, tesouras, DVD´s, e outras coisas pesadas que iam para o fundo do mar.
Durante vários dias, o esquilo procurou, mas nada encontrou que se parecesse ao leme do barquinho. De vez em quando encontrava um peixinho simpático que lhe dava algumas indicações. Outro dava-lhe conselhos para que tivesse cuidado com algumas zonas perigosas. De todos eles o peixinho palhaço era o mais simpático e que o ajudava a tomar o rumo certo para a praia. Durante vários dias o peixinho o ajudou. Cada peixinho dizia a outro o que o esquilo procurava. A noticia foi espalhando-se por todo o mar. Faziam-se publicações sobre o assunto no universo marinho. De pouco adiantou. Nem uma pista sobre o pequeno leme. Os lemes encontrados, e eram bastantes, não eram o do pequeno barco.
Entretanto o esquilo carpinteiro fez um pequeno leme de madeira para o pequeno barco poder navegar. Orgulhoso e agradecido por poder navegar outra vez passou a levar o esquilo surfista para outra praia que ficava noutra ilha e onde as ondas eram melhores para praticar o seu desporto favorito. Passaram-se os dias e o esquilo detective cada vez mais triste. As pistas tinham acabado. Ou melhor as pistas não existiam. Assim é muito difícil ser detective. Não conseguia encontrar o pequeno leme. O barquinho todos os dias vinha visitar o seu amigo. Este cada vez mais desanimado e triste se sentia. O seu orgulho ferido fez com que se isolasse de todos. Até aquele assunto do leme o olhar orgulhoso e altivo que o esquilo tinha para com os seus amigos contrastava com a humildade destes. Por vezes chegava ao ponto de ser grosseiro.
Certo dia quando já nada fazia supor que se pudesse encontrar o leme deu a costa um pequeno pedaço de ferro cheio de algas. Quem o viu primeiro foi o esquilo surfista. Tinha o formato de um leme. Com alegria foi comunicar o achado. O esquilo detective já muito doente arrastou-se para a praia para ver. O leme que tanto trabalho lhe tinha dado para o encontrar tinha chegado sem se importar com as preocupações que tinha dado. Rejubilando de alegria o pequeno esquilo abraçou-o com sofreguidão. Aquele pequeno leme tinha-o ferido no seu orgulho de grande detective. Tinha modificado a sua maneira de agir perante os outros. Do fundo do mar tinha vindo a sua salvação perante os outros.



