domingo, 25 de outubro de 2009

Esquilo Detective


Naquela ilha longínqua, que é uma porção de terra rodeada por mar por todos os lados como sabem, vivia tranquilamente um esquilo detective. Ele entretinha-se a procurar pistas de todos os tipos. Pistas para procurar nozes, pistas para procurar avelãs, pistas de objectos reluzentes e não só para levar para a sua casa. Os objectos que encontrava, os que não eram comestíveis, serviam para fazer as mais diversas coisas. Por exemplo, um dia encontrou, a boiar na praia, uma garrafa de plástico vazia. Com ela, fez uma prancha para o seu amigo: o esquilo surfista. Outro dia, encontrou uma lata de conserva e, colocando-lhe um mastro e uma vela, fez um pequeno barco para o seu amigo: o esquilo marinheiro. Tinha muitas qualidades este nosso esquilo. Mas o que lhe dava mais prazer era procurar pistas para encontrar uma determinada coisa. Os seus amigos procuravam-no pelos dotes que tinha em encontrar coisas. Desde as mais simples e que facilmente as encontrava. O caso dos óculos do seu amigo, o esquilo escritor. Facilmente os encontrou, pois estavam na testa do próprio. E, como o esquilo escritor era pitosga, não conseguiu vê-los. A situação em que precisou de se apurar nos seus dotes foi quando teve de encontrar a serra do seu amigo, o esquilo carpinteiro. Começou por fazer inicialmente um inquérito, questionando o esquilo carpinteiro:
- Quando foi a última vez que viu a serra?
- O que estava a fazer nessa altura?
- Onde estava?
- Como estava a utilizar a serra? Etc.
Ufa!!! Depois de tudo verificado e de tudo explicado, seguiu as pistas e deu com ela no fundo da caixa de ferramentas. O esquilo carpinteiro tinha pedido ao seu filho que arrumasse as ferramentas do pai. O filho, obediente, tinha feito tão bem o serviço que, vendo que a serra era bastante perigosa, tinha-a embrulhado numa folha de árvore resistente e tinha-a colocado no fundo da caixa. Qualquer um, olhando para a caixa, não pensaria que aquela folha de árvore continha a serra. Mas o nosso esquilo detective sim. Tinha olho clínico para estas coisas. E o seu poder dedutivo era impressionante.
Um dia, encontrou um barquinho triste na areia da praia. O pobre barquinho não conseguia navegar. Faltava-lhe uma pequena peça que era o lema. Tinha-o perdido algures no meio do mar. O esquilo prometeu-lhe que iria colocar à sua disposição as suas capacidades de detective. Assim, com a ajuda de uma lupa, foi vasculhando toda a praia à procura do pequeno leme. Procurou, procurou, mas não encontrou o leme… Já desesperado, estava pronto a desistir quando pensou que o leme era uma peça que não flutuava no mar. Então, só poderia estar no fundo do mar. Mas o nosso esquilo tinha medo da água. Vestiu o seu fato de mergulho e, com muito cuidado, foi procurando próximo da praia. Nada encontrou. Foi indo cada vez mais fundo. O pobre esquilo cada vez tinha mais medo. Não gostava mesmo de água. Nestas andanças, o nosso esquilo foi encontrando varias coisas: garrafas de vidro, tesouras, DVD´s, e outras coisas pesadas que iam para o fundo do mar.
Durante vários dias, o esquilo procurou, mas nada encontrou que se parecesse ao leme do barquinho. De vez em quando encontrava um peixinho simpático que lhe dava algumas indicações. Outro dava-lhe conselhos para que tivesse cuidado com algumas zonas perigosas. De todos eles o peixinho palhaço era o mais simpático e que o ajudava a tomar o rumo certo para a praia. Durante vários dias o peixinho o ajudou. Cada peixinho dizia a outro o que o esquilo procurava. A noticia foi espalhando-se por todo o mar. Faziam-se publicações sobre o assunto no universo marinho. De pouco adiantou. Nem uma pista sobre o pequeno leme. Os lemes encontrados, e eram bastantes, não eram o do pequeno barco.
Entretanto o esquilo carpinteiro fez um pequeno leme de madeira para o pequeno barco poder navegar. Orgulhoso e agradecido por poder navegar outra vez passou a levar o esquilo surfista para outra praia que ficava noutra ilha e onde as ondas eram melhores para praticar o seu desporto favorito. Passaram-se os dias e o esquilo detective cada vez mais triste. As pistas tinham acabado. Ou melhor as pistas não existiam. Assim é muito difícil ser detective. Não conseguia encontrar o pequeno leme. O barquinho todos os dias vinha visitar o seu amigo. Este cada vez mais desanimado e triste se sentia. O seu orgulho ferido fez com que se isolasse de todos. Até aquele assunto do leme o olhar orgulhoso e altivo que o esquilo tinha para com os seus amigos contrastava com a humildade destes. Por vezes chegava ao ponto de ser grosseiro.
Certo dia quando já nada fazia supor que se pudesse encontrar o leme deu a costa um pequeno pedaço de ferro cheio de algas. Quem o viu primeiro foi o esquilo surfista. Tinha o formato de um leme. Com alegria foi comunicar o achado. O esquilo detective já muito doente arrastou-se para a praia para ver. O leme que tanto trabalho lhe tinha dado para o encontrar tinha chegado sem se importar com as preocupações que tinha dado. Rejubilando de alegria o pequeno esquilo abraçou-o com sofreguidão. Aquele pequeno leme tinha-o ferido no seu orgulho de grande detective. Tinha modificado a sua maneira de agir perante os outros. Do fundo do mar tinha vindo a sua salvação perante os outros.

O Arco-íris Turbulento





O cão Sabias vivia numa casa Grande e ele pensava que aquilo era um Museu. Tinhas muitas divisões. Por vezes, perdia-se nas suas caminhadas no interior da casa. Cada divisão tinha muitos quadros, cada um mais bonito que o outro. O Sabias gostava de observar esses quadros.
Nesse dia, o pobre cãozinho apanhou um susto. Ao olhar mais em pormenor para um dos quadros viu um arco-íris que estava lá pintado. Esse arco-íris mexia-se, falava, saltando de um sítio para o outro dentro do quadro.
 Ao ver o ar assustado do cãozinho, o arco-íris saltou para o chão e foi falar com ele:
- Não te assustes, eu sou apenas um arco-íris, não faço mal a ninguém. Gostava de ser teu amigo, disse o arco-íris.
O Sabias, que tinha a mania que sabia tudo, mais espantado ficou ao ver ali tão perto o arco-íris. Entretanto, depois de recomposto do susto, disse:
-Como é que tu te chamas?   
- Eu chamo-me Sabias e tu? Já agora, como é que saíste do quadro?
- Eu chamo-me Turbulento e tenho uma longa história para te contar.
- Foi há muitos anos que um pintor me fez. Nessa altura as tintas eram mágicas e ele utilizou algumas delas em mim. Por isso, eu posso andar de um lado para outro e também posso falar. No entanto, não sou um verdadeiro arco-íris. Falta-me a cor violeta.
Esse dia tinha amanhecido cheio de sol. Não, não era suposto aparecer o arco-íris. Sabem, ele só aparece quando está a chover miudinho por entre o sol. Mas, naquele dia, apareceu por livre e espontânea vontade. À janela da casa, logo manhãzinha cedo, via-se um pequeno vulto a olhar para o exterior e a apreciar o lindo arco-íris que aparecia ao longe. Era o nosso amiguinho arco-íris. O arco-íris que tinha aparecido no céu, estava vestido de várias cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta e anil. Enfim, todas as cores que um arco-íris tem.
O cão Sabias tinha ficado bastante preocupado com o seu amigo Turbulento. E prometeu-lhe que o ajudaria a procurar a tinta da cor que lhe faltava. Assim, poderia ser um verdadeiro arco-íris.
                Nestes pensamentos, os dois amigos foram falando um com o outro. Ali perto, o ratinho TobiasSabias, que o cumprimentou: andava nos seus afazeres diários. Procurava migalhas de comida para o seu pequeno-almoço. Ao passar por aquela divisão, vislumbrou ao longe o seu amigo
- Olá Tobias, este é o arco-íris e chama-se Turbulento. Ele fala, anda, dança, canta, faz tudo como nós.
O pequeno ratinho aproximou-se e disse:
- Olá Sabias!
- Ele contou-me que anda à procura da cor que lhe falta. Mas tem que ser a cor mágica. Gostava que nós o ajudássemos a encontrar a tinta mágica para assim lhe fazer a linha que lhe falta. É a linha violeta.
- Por mim tudo bem. Por onde vamos começar a procurar?
- Olha, já sei! Vamos procurar na cozinha. Talvez lá esteja - disse o Sabias.
Os três amigos foram procurar na cozinha. Vasculharam tudo, mas não encontraram o frasquinho de tinta mágica. Cansados, foram repousar para a sala.
De repente, o Tobias reparou que, no alto de um armário, estava uma caixa pequenina. Era uma caixa colorida e muito antiga. Tinha o ar de ser uma caixa com coisas mágicas lá dentro. Subiu ao cimo do armário e abriu-a. Lá dentro, espantado, viu uns frasquinhos pequeninos que tinham tinta.  Todos estavam vazios, excepto o frasquinho com a tinta cor violeta.
Rapidamente exclamou:
-Aqui esta a tinta que procurávamos. O violeta!
-Boa, mas será que é mágica? Só a tinta mágica é que serve… - disseram ao mesmo tempo o Turbulento e o Sabias.
Não queriam pintar o amigo Turbulento com uma tinta qualquer. E se depois essa tinta não saísse. E se mais tarde encontrassem a tinta certa, depois já não o podiam pintar. Os três amigos foram pensando, então, o que deveriam fazer.
- Pintamos a caixa e se ela andar, dançar, voar e falar é porque a tinta é mágica - disse o Sabias.
- Ou então pintamos um frasquinho para ver o efeito!
- E se vocês a experimentassem? Se voarem então a tinta é mágica - disse o Turbulento.
- Boa! Vamos experimentar em nós.
Abriram com muito cuidado o frasquinho para não entornar a preciosa tinta. Com um pincel, que estava dentro da caixa, pintaram-se. De repente, começaram a voar.
- É a tinta mágica!!!
Com muito cuidado, pintaram a linha que faltava no Turbulento. Turbulento era agora o arco-íris mais bonito e verdadeiro. Pequenino, não cabia em si de contente. Os três amigos voaram para o céu. Turbulento foi direitinho ao arco-íris, que tinha aparecido logo de manhã, e, muito orgulhoso, exibiu as suas cores. Mais tarde, à noitinha, voltou para o quadro de onde tinha saído. E imóvel ficou. Já não tinha necessidade de falar, dançar, cantar e voar. Era um arco-íris perfeito. E perfeito ficava naquele quadro. O Tobias e o Sabias ficaram um pouco tristes, porque o seu amigo nunca mais falou, dançou, cantou ou voou... No entanto, cada vez que eles passavam pelo quadro, ao olharem para o sítio onde Turbulento estava, notavam que ele estava radiante e exibia as cores com muito orgulho.