sábado, 12 de setembro de 2009

O Ratinho Comilão


 Era uma vez um ratinho que gostava muito de queijo. Como todos os ratinhos, eles gostam muito de queijo. Fazem tudo por encontrar uma migalha e deliciosamente a comem. Um dia, o ratinho, que se chamava Maurício, queria juntar muitas migalhas de queijo. Mais precisamente, vinte e nove migalhas. Queria as migalhas de queijo para uma festa que pretendia fazer com os seus amigos. Essa festa era para celebrar o dia do seu aniversário. Os seus amigos iriam trazer-lhe muitos presentes. Não queria decepcioná-los. Assim, o pobre ratinho foi à procura do banquete que queria oferecer aos seus amigos. Andou, andou e andou por toda a casa onde morava. No armário, encontrou nove migalhas de queijo. Levou-as rapidamente, uma a uma, para a sua toca. Em cima da mesa, encontrou mais dez. Fez o mesmo. Arrumou-as muito arrumadinhas junto às outras. Fez a conta e ainda lhe faltavam dez. Como ele iria fazer para encontrar as que faltavam? Procurou por todos os lados da casa: debaixo dos armários da cozinha, em cima dos armários da cozinha, no quarto das pessoas, na varanda… Nada! Nem mais uma migalha encontrou! Muito pensativo e desgostoso ficou. Não poderia fazer a festa. Tinha vinte e nove convidados e queria oferecer-lhes, para comer, as vinte e nove migalhas.Decidiu ir para fora de casa. Foi para o prado que ficava ali perto. Andou à procura e nada encontrou. Nem uma migalhinha sequer. Andando por ali, pensativo, encontrou um ratinho do campo que ali morava. Maurício explicou a José, que era o nome do seu vizinho, que andava à procura de migalhas de queijo para fazer uma festa. A sua festa de aniversário. Ela iria realizar-se no dia seguinte. José decidiu ajudá-lo. Mas não conhecia o que eram as migalhas de queijo. Nunca tinha visto uma. Apenas conhecia as raízes tenras e os frutos secos que a floresta próxima lhe dava para a sua alimentação. Maurício explicou o que era um queijo. Falou-lhe no sabor delicioso das migalhas. Concluíram que na floresta não existem queijos e decidiram ir para casa do Maurício.Estas correrias deram cansaço e fome aos pobres ratinhos. Na casinha do Maurício, começaram a comer as migalhas de queijo que ele tinha acumulado até ao momento. Depois do repasto, refastelaram-se e adormeceram.  Apenas tinham sobrados cinco migalhas. Maurício sonhava com a sua festa de anos. José sonhava que na floresta não havia nada para comer que se comparasse ao sabor do queijo. De repente, acordaram os dois. Maurício, assustado, pensou que nunca mais conseguia juntar as vinte e nove migalhas para a sua festa. José segredou ao seu vizinho que, a partir daquele dia, passaria a morar na casa. Chegou a hora da festa e Maurício e José não tinham ainda as migalhas de queijo. Sentiam-se desolados. Tinham, no entanto, arrumado cuidadosamente a casa. Os convidados foram chegando. Cada um deles trazia, para espanto dos nossos ratinhos, uma migalha. De espanto, passou a ser de alegria o semblante de Maurício. Assim, tudo se arranjou num instante. Os convidados tinham tido a mesma ideia. Um deles, o ratinho João, confessou que tinha ouvido os soluços de Maurício e, segredando aos outros ratinhos, decidiram trazer, cada um, uma migalha para a festa. Ela foi um sucesso. “Quem tem amigos, tem tudo”


A Galinha dos Ovos de Ouro


Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todos os dias sem falta, punha um ovo de ouro. Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, os camponeses mataram a galinha para assim ficar de uma só vez com o ouro. Tal não foi a surpresa para os dois quando, viram que a ave, em nada era diferente das outras galinhas. Assim, o casal de tolo, desejando enriquecer de uma só vez, acaba por perder o ganho diário que já tinha assegurado.
Autor: Esopo
Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

A Formiga e a Pomba

Uma Formiga foi à margem do rio para beber água, e sendo arrastada pela forte corrente, estava prestes a se afogar. Uma Pomba, que estava numa árvore sobre a água observando tudo, arranca uma folha e deixa-a cair na correnteza perto da formiga. Subindo na folha a Formiga flutua em segurança até a margem. Eis que pouco tempo depois, um caçador de pássaros, oculto pelas folhas da árvore, se prepara para capturar a Pomba, colocando visgo no galho onde ela repousa, sem que a mesma perceba o perigo. A Formiga, percebendo sua intenção, dá-lhe uma ferroada no pé. Do susto, ele deixa cair sua armadilha de visgo, e isso dá chance para que a Pomba desperte e voe para longe, a salvo.
Autor: Esopo
Moral da História: Nenhum acto de boa vontade ou gentileza é coisa em vão.

A Águia e a Gralha

Uma Águia ao sair do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e levou-a presa nas suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa.Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobre uma ovelha, com a intenção de também a carregar presa às suas garras. Aconteceu que as suas garras acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, e isso a impediu inclusive de se soltar, embora o tentasse com todas as suas forças.O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Cortou-lhe as penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite levou-a para casa, e entregou como brinquedo para os seus filhos. “Que pássaro engraçado é esse?”, perguntou um deles. “Ele é uma Gralha meus filhos. Mas lhe perguntares, ele dirá que é uma Águia.”
Autor: Esopo
Moral da História: Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

A Historia do Galo da Raposa do Corvo e do Queijo


Era uma vez um galo e uma raposa. Viviam num país onde os animais falavam. Certo dia, o Galo andava nos seus afazeres, a encontrar minhocas para o seu almoço, no prado perto do galinheiro onde morava. De repente, quando levantou os olhos do chão, viu ao longe um queijo reluzente. Brilhava à luz do sol. Era redondo e branquinho como a neve. Cacarejou de satisfação! O Galo dirigiu-se, então, para o sítio onde tinha visto o queijo. Do outro lado do prado, passeava uma raposa também à procura do seu almoço. Andava à procura de ratinhos no prado. Cada vez que encontrava uma toca de rato, raspava com as patas para os encontrar. Mas eles eram mais espertos do que ela. Rapidamente se metiam para as condutas mais profundas das suas tocas. Ou então, saíam por outra abertura e iam para outra toca. De repente, a raposa levantou a cabeça e, olhando para o meio do prado, viu um queijo reluzente e branquinho a brilhar ao sol. A raposa dirigiu-se, portanto, para o sítio onde tinha visto o queijo. O prado não era muito comprido. O Galo e a Raposa, no frenesim de apanhar o queijo, nem deram conta um do outro. O Galo, com a vontade de apanhar o seu manjar não notara que ia a caminho da boca do seu maior inimigo. A Raposa, na ânsia de apanhar ela o alimento, não notara que à sua frente estava o seu melhor pitéu, um galo tenrinho. Os dois animais apenas tinham os olhos fixos no queijo. E daí não saíam. Os seus olhos eram só para o queijo. Este permanecia imóvel no centro do prado. Reluzente, branquinho e a brilhar ao sol do meio-dia. Um Corvo esvoaçava por aquelas paragens de volta ao seu ninho fresco, para repousar do sol escaldante daquela hora. Ao olhar para baixo, para o prado, viu uma Raposa em direcção a um Galo. Não achou estranho. O que achou mais estranho foi ver um Galo de encontro à Raposa. Ficou quase tonto ao ver tal imagem. Por pouco, não se desequilibrou e não caiu do seu voo. Olhando melhor, verificou que ambos corriam para um ponto reluzente no meio do prado. Olhou ainda melhor e viu que era um queijo branquinho e brilhante. Em voo picado, foi ao encontro do queijo. Com o bico, agarrou-o e elevou-se no ar. A raposa e o Galo olharam para o ladrão do seu almoço com desdém. Durante algum tempo, ficaram a olhar para o voo do Corvo. Cada um pensando que a sua comida, que ali tão perto estava, tinha sido roubada pelo ladrão mais miserável que possa existir à face da Terra. Tinha-se apossado de um bem precioso. Pelo menos precioso para cada um deles, naquele dia. Num instante, estavam a olhar para o Corvo e, no outro, a olhar-se. A surpresa e o medo do Galo contrastavam com a surpresa e a alegria da Raposa. O Galo começou a cacarejar alvoroçadamente, a correr e a esvoaçar desalmadamente na direcção do galinheiro, que ficava no fim do prado. A Raposa, em pequenos saltos de alegria, cada vez se aproximava mais do Galo. O que o salvou foi a dona do galinheiro que, ouvindo o aflitivo cacarejar do seu Galo de estimação, se assomou à porta de casa. Vendo que vinha perseguido pela Raposa, acorreu em seu auxílio. A Raposa não podendo levar por diante a sua contenda, decidiu sair dali e continuar a procurar ratinhos do prado, mais adiante. O Galo com o susto, foi-se refugiar no galinheiro e por lá ficou durante o resto do dia. Quanto ao Corvo, feliz e contente, deliciou-se com o queijo branquinho e fresquinho no seu ninho. Fora do calor abrasador do meio-dia, o Corvo adormeceu. Não longe dali, um Mocho que tudo tinha presenciado exclamou:
- O empenho na concretização dos objectivos que queremos atingir deve ser comedido e ponderar todas as situações possíveis. O Galo, pensando que bastava seguir um caminho para atingir o objectivo, por pouco não morreu nesse intento. A Raposa, não olhando todas as situações possíveis, não obteve vantagem sobre um outro objectivo que poderia ter atingido.