

Era uma vez um ratinho que gostava muito de queijo. Como todos os ratinhos, eles gostam muito de queijo. Fazem tudo por encontrar uma migalha e deliciosamente a comem. Um dia, o ratinho, que se chamava Maurício, queria juntar muitas migalhas de queijo. Mais precisamente, vinte e nove migalhas. Queria as migalhas de queijo para uma festa que pretendia fazer com os seus amigos. Essa festa era para celebrar o dia do seu aniversário. Os seus amigos iriam trazer-lhe muitos presentes. Não queria decepcioná-los. Assim, o pobre ratinho foi à procura do banquete que queria oferecer aos seus amigos. Andou, andou e andou por toda a casa onde morava. No armário, encontrou nove migalhas de queijo. Levou-as rapidamente, uma a uma, para a sua toca. Em cima da mesa, encontrou mais dez. Fez o mesmo. Arrumou-as muito arrumadinhas junto às outras. Fez a conta e ainda lhe faltavam dez. Como ele iria fazer para encontrar as que faltavam? Procurou por todos os lados da casa: debaixo dos armários da cozinha, em cima dos armários da cozinha, no quarto das pessoas, na varanda… Nada! Nem mais uma migalha encontrou! Muito pensativo e desgostoso ficou. Não poderia fazer a festa. Tinha vinte e nove convidados e queria oferecer-lhes, para comer, as vinte e nove migalhas.Decidiu ir para fora de casa. Foi para o prado que ficava ali perto. Andou à procura e nada encontrou. Nem uma migalhinha sequer. Andando por ali, pensativo, encontrou um ratinho do campo que ali morava. Maurício explicou a José, que era o nome do seu vizinho, que andava à procura de migalhas de queijo para fazer uma festa. A sua festa de aniversário. Ela iria realizar-se no dia seguinte. José decidiu ajudá-lo. Mas não conhecia o que eram as migalhas de queijo. Nunca tinha visto uma. Apenas conhecia as raízes tenras e os frutos secos que a floresta próxima lhe dava para a sua alimentação. Maurício explicou o que era um queijo. Falou-lhe no sabor delicioso das migalhas. Concluíram que na floresta não existem queijos e decidiram ir para casa do Maurício.Estas correrias deram cansaço e fome aos pobres ratinhos. Na casinha do Maurício, começaram a comer as migalhas de queijo que ele tinha acumulado até ao momento. Depois do repasto, refastelaram-se e adormeceram. Apenas tinham sobrados cinco migalhas. Maurício sonhava com a sua festa de anos. José sonhava que na floresta não havia nada para comer que se comparasse ao sabor do queijo. De repente, acordaram os dois. Maurício, assustado, pensou que nunca mais conseguia juntar as vinte e nove migalhas para a sua festa. José segredou ao seu vizinho que, a partir daquele dia, passaria a morar na casa. Chegou a hora da festa e Maurício e José não tinham ainda as migalhas de queijo. Sentiam-se desolados. Tinham, no entanto, arrumado cuidadosamente a casa. Os convidados foram chegando. Cada um deles trazia, para espanto dos nossos ratinhos, uma migalha. De espanto, passou a ser de alegria o semblante de Maurício. Assim, tudo se arranjou num instante. Os convidados tinham tido a mesma ideia. Um deles, o ratinho João, confessou que tinha ouvido os soluços de Maurício e, segredando aos outros ratinhos, decidiram trazer, cada um, uma migalha para a festa. Ela foi um sucesso. “Quem tem amigos, tem tudo”








