domingo, 25 de outubro de 2009

Esquilo Detective


Naquela ilha longínqua, que é uma porção de terra rodeada por mar por todos os lados como sabem, vivia tranquilamente um esquilo detective. Ele entretinha-se a procurar pistas de todos os tipos. Pistas para procurar nozes, pistas para procurar avelãs, pistas de objectos reluzentes e não só para levar para a sua casa. Os objectos que encontrava, os que não eram comestíveis, serviam para fazer as mais diversas coisas. Por exemplo, um dia encontrou, a boiar na praia, uma garrafa de plástico vazia. Com ela, fez uma prancha para o seu amigo: o esquilo surfista. Outro dia, encontrou uma lata de conserva e, colocando-lhe um mastro e uma vela, fez um pequeno barco para o seu amigo: o esquilo marinheiro. Tinha muitas qualidades este nosso esquilo. Mas o que lhe dava mais prazer era procurar pistas para encontrar uma determinada coisa. Os seus amigos procuravam-no pelos dotes que tinha em encontrar coisas. Desde as mais simples e que facilmente as encontrava. O caso dos óculos do seu amigo, o esquilo escritor. Facilmente os encontrou, pois estavam na testa do próprio. E, como o esquilo escritor era pitosga, não conseguiu vê-los. A situação em que precisou de se apurar nos seus dotes foi quando teve de encontrar a serra do seu amigo, o esquilo carpinteiro. Começou por fazer inicialmente um inquérito, questionando o esquilo carpinteiro:
- Quando foi a última vez que viu a serra?
- O que estava a fazer nessa altura?
- Onde estava?
- Como estava a utilizar a serra? Etc.
Ufa!!! Depois de tudo verificado e de tudo explicado, seguiu as pistas e deu com ela no fundo da caixa de ferramentas. O esquilo carpinteiro tinha pedido ao seu filho que arrumasse as ferramentas do pai. O filho, obediente, tinha feito tão bem o serviço que, vendo que a serra era bastante perigosa, tinha-a embrulhado numa folha de árvore resistente e tinha-a colocado no fundo da caixa. Qualquer um, olhando para a caixa, não pensaria que aquela folha de árvore continha a serra. Mas o nosso esquilo detective sim. Tinha olho clínico para estas coisas. E o seu poder dedutivo era impressionante.
Um dia, encontrou um barquinho triste na areia da praia. O pobre barquinho não conseguia navegar. Faltava-lhe uma pequena peça que era o lema. Tinha-o perdido algures no meio do mar. O esquilo prometeu-lhe que iria colocar à sua disposição as suas capacidades de detective. Assim, com a ajuda de uma lupa, foi vasculhando toda a praia à procura do pequeno leme. Procurou, procurou, mas não encontrou o leme… Já desesperado, estava pronto a desistir quando pensou que o leme era uma peça que não flutuava no mar. Então, só poderia estar no fundo do mar. Mas o nosso esquilo tinha medo da água. Vestiu o seu fato de mergulho e, com muito cuidado, foi procurando próximo da praia. Nada encontrou. Foi indo cada vez mais fundo. O pobre esquilo cada vez tinha mais medo. Não gostava mesmo de água. Nestas andanças, o nosso esquilo foi encontrando varias coisas: garrafas de vidro, tesouras, DVD´s, e outras coisas pesadas que iam para o fundo do mar.
Durante vários dias, o esquilo procurou, mas nada encontrou que se parecesse ao leme do barquinho. De vez em quando encontrava um peixinho simpático que lhe dava algumas indicações. Outro dava-lhe conselhos para que tivesse cuidado com algumas zonas perigosas. De todos eles o peixinho palhaço era o mais simpático e que o ajudava a tomar o rumo certo para a praia. Durante vários dias o peixinho o ajudou. Cada peixinho dizia a outro o que o esquilo procurava. A noticia foi espalhando-se por todo o mar. Faziam-se publicações sobre o assunto no universo marinho. De pouco adiantou. Nem uma pista sobre o pequeno leme. Os lemes encontrados, e eram bastantes, não eram o do pequeno barco.
Entretanto o esquilo carpinteiro fez um pequeno leme de madeira para o pequeno barco poder navegar. Orgulhoso e agradecido por poder navegar outra vez passou a levar o esquilo surfista para outra praia que ficava noutra ilha e onde as ondas eram melhores para praticar o seu desporto favorito. Passaram-se os dias e o esquilo detective cada vez mais triste. As pistas tinham acabado. Ou melhor as pistas não existiam. Assim é muito difícil ser detective. Não conseguia encontrar o pequeno leme. O barquinho todos os dias vinha visitar o seu amigo. Este cada vez mais desanimado e triste se sentia. O seu orgulho ferido fez com que se isolasse de todos. Até aquele assunto do leme o olhar orgulhoso e altivo que o esquilo tinha para com os seus amigos contrastava com a humildade destes. Por vezes chegava ao ponto de ser grosseiro.
Certo dia quando já nada fazia supor que se pudesse encontrar o leme deu a costa um pequeno pedaço de ferro cheio de algas. Quem o viu primeiro foi o esquilo surfista. Tinha o formato de um leme. Com alegria foi comunicar o achado. O esquilo detective já muito doente arrastou-se para a praia para ver. O leme que tanto trabalho lhe tinha dado para o encontrar tinha chegado sem se importar com as preocupações que tinha dado. Rejubilando de alegria o pequeno esquilo abraçou-o com sofreguidão. Aquele pequeno leme tinha-o ferido no seu orgulho de grande detective. Tinha modificado a sua maneira de agir perante os outros. Do fundo do mar tinha vindo a sua salvação perante os outros.

O Arco-íris Turbulento





O cão Sabias vivia numa casa Grande e ele pensava que aquilo era um Museu. Tinhas muitas divisões. Por vezes, perdia-se nas suas caminhadas no interior da casa. Cada divisão tinha muitos quadros, cada um mais bonito que o outro. O Sabias gostava de observar esses quadros.
Nesse dia, o pobre cãozinho apanhou um susto. Ao olhar mais em pormenor para um dos quadros viu um arco-íris que estava lá pintado. Esse arco-íris mexia-se, falava, saltando de um sítio para o outro dentro do quadro.
 Ao ver o ar assustado do cãozinho, o arco-íris saltou para o chão e foi falar com ele:
- Não te assustes, eu sou apenas um arco-íris, não faço mal a ninguém. Gostava de ser teu amigo, disse o arco-íris.
O Sabias, que tinha a mania que sabia tudo, mais espantado ficou ao ver ali tão perto o arco-íris. Entretanto, depois de recomposto do susto, disse:
-Como é que tu te chamas?   
- Eu chamo-me Sabias e tu? Já agora, como é que saíste do quadro?
- Eu chamo-me Turbulento e tenho uma longa história para te contar.
- Foi há muitos anos que um pintor me fez. Nessa altura as tintas eram mágicas e ele utilizou algumas delas em mim. Por isso, eu posso andar de um lado para outro e também posso falar. No entanto, não sou um verdadeiro arco-íris. Falta-me a cor violeta.
Esse dia tinha amanhecido cheio de sol. Não, não era suposto aparecer o arco-íris. Sabem, ele só aparece quando está a chover miudinho por entre o sol. Mas, naquele dia, apareceu por livre e espontânea vontade. À janela da casa, logo manhãzinha cedo, via-se um pequeno vulto a olhar para o exterior e a apreciar o lindo arco-íris que aparecia ao longe. Era o nosso amiguinho arco-íris. O arco-íris que tinha aparecido no céu, estava vestido de várias cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta e anil. Enfim, todas as cores que um arco-íris tem.
O cão Sabias tinha ficado bastante preocupado com o seu amigo Turbulento. E prometeu-lhe que o ajudaria a procurar a tinta da cor que lhe faltava. Assim, poderia ser um verdadeiro arco-íris.
                Nestes pensamentos, os dois amigos foram falando um com o outro. Ali perto, o ratinho TobiasSabias, que o cumprimentou: andava nos seus afazeres diários. Procurava migalhas de comida para o seu pequeno-almoço. Ao passar por aquela divisão, vislumbrou ao longe o seu amigo
- Olá Tobias, este é o arco-íris e chama-se Turbulento. Ele fala, anda, dança, canta, faz tudo como nós.
O pequeno ratinho aproximou-se e disse:
- Olá Sabias!
- Ele contou-me que anda à procura da cor que lhe falta. Mas tem que ser a cor mágica. Gostava que nós o ajudássemos a encontrar a tinta mágica para assim lhe fazer a linha que lhe falta. É a linha violeta.
- Por mim tudo bem. Por onde vamos começar a procurar?
- Olha, já sei! Vamos procurar na cozinha. Talvez lá esteja - disse o Sabias.
Os três amigos foram procurar na cozinha. Vasculharam tudo, mas não encontraram o frasquinho de tinta mágica. Cansados, foram repousar para a sala.
De repente, o Tobias reparou que, no alto de um armário, estava uma caixa pequenina. Era uma caixa colorida e muito antiga. Tinha o ar de ser uma caixa com coisas mágicas lá dentro. Subiu ao cimo do armário e abriu-a. Lá dentro, espantado, viu uns frasquinhos pequeninos que tinham tinta.  Todos estavam vazios, excepto o frasquinho com a tinta cor violeta.
Rapidamente exclamou:
-Aqui esta a tinta que procurávamos. O violeta!
-Boa, mas será que é mágica? Só a tinta mágica é que serve… - disseram ao mesmo tempo o Turbulento e o Sabias.
Não queriam pintar o amigo Turbulento com uma tinta qualquer. E se depois essa tinta não saísse. E se mais tarde encontrassem a tinta certa, depois já não o podiam pintar. Os três amigos foram pensando, então, o que deveriam fazer.
- Pintamos a caixa e se ela andar, dançar, voar e falar é porque a tinta é mágica - disse o Sabias.
- Ou então pintamos um frasquinho para ver o efeito!
- E se vocês a experimentassem? Se voarem então a tinta é mágica - disse o Turbulento.
- Boa! Vamos experimentar em nós.
Abriram com muito cuidado o frasquinho para não entornar a preciosa tinta. Com um pincel, que estava dentro da caixa, pintaram-se. De repente, começaram a voar.
- É a tinta mágica!!!
Com muito cuidado, pintaram a linha que faltava no Turbulento. Turbulento era agora o arco-íris mais bonito e verdadeiro. Pequenino, não cabia em si de contente. Os três amigos voaram para o céu. Turbulento foi direitinho ao arco-íris, que tinha aparecido logo de manhã, e, muito orgulhoso, exibiu as suas cores. Mais tarde, à noitinha, voltou para o quadro de onde tinha saído. E imóvel ficou. Já não tinha necessidade de falar, dançar, cantar e voar. Era um arco-íris perfeito. E perfeito ficava naquele quadro. O Tobias e o Sabias ficaram um pouco tristes, porque o seu amigo nunca mais falou, dançou, cantou ou voou... No entanto, cada vez que eles passavam pelo quadro, ao olharem para o sítio onde Turbulento estava, notavam que ele estava radiante e exibia as cores com muito orgulho.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O gato Óscar e a Estrela Polar



Vivia muito feliz e contente um gato que gostava de fazer traquinices. Adorava brincar com a sua bola de trapo pompom. Óscar, assim se chamava o gato, sentia-se um pouco enfadado, pois todo o dia brincava apenas com a bola. Os seus donos gostavam muito dele. Mas, a maior parte do tempo, estavam ocupados nos seus afazeres. Não tinham tempo para brincar com ele. Assim, o pobre gatinho esperava ansiosamente pelo fim da tarde para poder brincar e fazer traquinices com o filho dos seus donos. Nesse ano, ele ia para a escola. Era a primeira vez que ia para a escola. Andava muito ansioso. Era a mochila, eram os livros, eram os cadernos, eram os lápis, que lhe ocupavam a sua mente. Pouco tempo tinha para brincar com o Óscar. Ou melhor, não se lembrava sequer do gatinho. O gatinho sentia-se sozinho… Mas ele compreendia que o rapazinho andava atarefado. Por isso, só o chamava ao fim da tarde. Nessa tarde, procurou, procurou, mas não encontrou o seu amigo de brincadeira. Tinha ido às compras com os pais, por isso, o gatinho ficou triste a olhar para o céu. Era já fim de tarde. O sol ia dormir. A lua ocupava o seu lugar. No céu, começaram a despontar vários pontos brilhantes. Um dos pontos brilhantes, mas não era o mais brilhante, começou a piscar na direcção do Óscar. Orientado para norte, o nosso gatinho sentia um formigueiro nos olhos. A luz era cada vez mais intensa. De repente, tinha uma pequena estrela à frente dele. Caminhava, pequenina, em direcção a ele. Era a estrela polar. O nosso pobre gatinho eriçou o pêlo com medo. Mas a pequena estrela diminui a intensidade da sua luz e apresentou-se. Disse que era a estrela polar. Que a cada mil anos vinha visitar a Terra em ponto pequeno. Escolheu Óscar, porque o sentiu um pouco triste. Óscar contou-lhe que o menino que brincava aos fins de tarde com ele estava com os pais nas compras e, por isso, sentia-se mais sozinho que triste. Polar contou-lhe que ela pertencia a uma família que os humanos chamam Ursa Menor, porque lhes parecia daqui da Terra uma Ursa pequena. Que a suas irmãs tal, como ela eram muitos antigas. Que raramente se viam, pois, apesar de, da Terra, parecer que estão muito próximas, se encontram a muitos, muitos, a mesmo muitos quilómetros de distância umas das outras. Contou-lhe que existem muitos astros no universo. São planetas, satélites, asteróides, meteoros, cometas e que todos giram em torno de uma estrela. Que muitas estrelas juntas formam as galáxias. E que tudo forma o universo. Contou-lhe a história do aparecimento do sistema solar que surgiu há muito, mas mesmo muito tempo. Conto-lhe que a Terra é azul vista do céu. Que é um dos planetas mais bonitos que já viu. Óscar ouvia com entusiasmo as suas histórias. Ao fim da noite, a estrela teve que ir para o seu lugar no céu. Óscar ficou triste. Polar prometeu que todos os fins de tarde o viria visitar. Óscar apenas queria que ficasse de noite para poder rever a sua amiga. Já não lhe importava se o menino do seu dono vinha ou não brincar com ele. Encontrou novamente a sua companheira de fim de tarde, princípio de noite, no dia seguinte. Só ele podia falar com ela. Por isso, sentia-se importante. Polar contava-lhe histórias de estrelas, cometas, planetas, meteoros e outros astros que existem no céu. O gato deliciava-se a ouvir essas histórias. Ao início do dia, Polar tinha de voltar… A despedida era sempre dolorosa e cheia de saudade. Numa tarde, sem Óscar esperar, o menino veio brincar com ele. Ele fugiu dele. Apesar de entender a fala dos humanos, apesar de ter ouvido que o menino lhe pedia desculpas por não ter vindo brincar nas últimas tardes, Óscar apenas queria estar sozinho e esperar pela sua amiga e pelas suas histórias extraordinárias. No entanto, pensou que os amigos devem ser partilhados. O menino não entendia a linguagem dos gatos, mas percebeu que o seu gatinho estava à espera de alguma coisa que viria do céu. Mais precisamente do céu do norte. Olhando os dois para a mesma direcção viram aproximar-se primeiro uma luz muito intensa e grande e, depois, um pequeno ponto em formato de estrela. Era Polar que vinha. Óscar apresentou o menino à sua amiga. O menino também entendia a linguagem das estrelas! Entendeu tudo o que Polar lhe dizia. Polar explicou-lhe que ele, tal como todos os seres vivos, eram filhos das estrelas e, por isso, conseguiam entender-se. Só não se entendiam entre eles por causa de problemas relacionados essencialmente com a injustiça que os humanos faziam aos outros seres vivos. Assim, desde aquele dia, passaram a conviver e a partilhar histórias. É verdade que a estrela, como mais velha, tinha histórias mais interessantes. Assim, quando vires um ponto brilhante aproximar-se vindo do céu, abre o teu coração. Pode ser que seja uma estrela a querer visitar-te. Talvez seja a própria estrela polar a querer fazer amizade contigo…

A Flor de todas as Cores


A Eva gosta de ver as flores a florir. Todas a flores que encontra são bonitas. Com muito cuidado, planta-as no seu jardim. É esplendoroso o jardim da Eva. Tem flores de todos os feitios e cores: vermelhas, azuis, verdes, rosa, roxas, amarelas, castanhas, pretas e brancas. Desde pequena que anda à procura de uma flor. Essa flor é muito especial. É a flor de todas as cores. Tem procurado por todos os lugares. Ainda não a encontrou. Voou por todo o mundo e nada!
O Ivo é o amigo da Eva. É muito simpático e brincalhão. Adora dormir. Quando não tem nada para fazer, dorme… Quando está acordado, é muito bem-disposto. Faz muitas partidas à Eva. Adora arrumar o lixo. Assim que vê um papel ou qualquer coisa no chão, vai logo apanhar. Gosta de separar por grupos o lixo. Separa os diversos “lixos” por classes. Para um lado, coloca os papéis e os cartões. Para o outro, o vidro. E ainda as embalagens vazias. Adora fazer isto!
O Ivo, em certo dia, estava a dormir quando a Eva se aproximou. A Eva, com muito cuidado, acordou-o. A Eva já anda desesperada! Não conseguia encontrar a flor de todas as cores. Pediu ao Ivo que a ajudasse. Ele, simpático, disse-lhe que não dormiria mais enquanto não a encontrassem. Decidiram ir visitar o Igor.
Igor morava numa casa muito limpinha. Adorava pintar. Quando não estava a arrumar a casa, estava a pintar. Pintava de tudo: flores, montanhas, árvores, casas, cadeiras, mesas, frutas e adorava pintar também o arco-íris. A casa dele estava sempre muito arrumada e limpa. Se quiséssemos entrar nela, tínhamos que descalçar os sapatos. Igor dizia que são os sapatos que trazem a maior parte da sujidade para dentro de casa. Ao chegarem a casa do Igor, Eva e Ivo automaticamente descalçavam-se para entrar. Com muito cuidado, entraram para a sala. Ela encontrava-se muito organizada. Existiam muitas estantes com livros. Cada livro estava no sítio certo e por assuntos. Existiam livros de todas as cores, de todos os lugares, de todos os assuntos. Os amigos discutiram um pouco o assunto da procura da flor de todas as cores com Igor. Igor ficou pensativo… Olhou para os seus livros muito organizados e exclamou:
- Se existe essa flor, ela deve estar descrita em algum dos meus livros.
Procuram, então, em cada um dos livros que tratavam de flores. Existiam vários. Tantos que não conseguiram ver tudo naquele dia. No outro e no outro e ainda no outro dia, continuaram à procura. Ivo já estava cheio de sono. No entanto, tinha prometido à amiga que só dormiria depois de encontrarem a flor de todas as cores. Passados três dias, ao fim da tarde, encontraram num livro que nada tinha que ver com flores uma história de arco-íris que falava da flor de todas as cores. Nesse livro, dizia que a flor só nasce por breves instantes quando aparece o arco-íris. No fim do arco, ela nasce. Se não for transplantada e regada, morre assim que o arco-íris desaparece. Eva ficou muito feliz. Decidiram, então, procurar a flor. Eva transportou por todo o mundo os dois amigos. Estava tão contente que queria encontrar a flor de todas as cores nesse dia. Procuraram, procuram, mas o arco-íris não apareceu. Foram todos descansar para as suas casas. Ivo caiu na cama e adormeceu logo. No dia seguinte de manha, Eva, muito espantada, olhou para fora e estava a cair uma pequena chuva, mas o sol resplandecia. Pensou:
- É hoje que vou encontrar a flor de todas as cores.
De repente, apareceu o Arco-íris. E, muito contente, foi ter com os amigos. Os três procuraram no fim do arco a flor. Lá estava ela. Com muito cuidado, Eva transplantou-a para o seu jardim e regou-a. Era a flor mais bonita do jardim. Eva, Ivo e Igor olhavam para a flor de todas as cores. Parecia um mini arco-íris.

sábado, 12 de setembro de 2009

O Ratinho Comilão


 Era uma vez um ratinho que gostava muito de queijo. Como todos os ratinhos, eles gostam muito de queijo. Fazem tudo por encontrar uma migalha e deliciosamente a comem. Um dia, o ratinho, que se chamava Maurício, queria juntar muitas migalhas de queijo. Mais precisamente, vinte e nove migalhas. Queria as migalhas de queijo para uma festa que pretendia fazer com os seus amigos. Essa festa era para celebrar o dia do seu aniversário. Os seus amigos iriam trazer-lhe muitos presentes. Não queria decepcioná-los. Assim, o pobre ratinho foi à procura do banquete que queria oferecer aos seus amigos. Andou, andou e andou por toda a casa onde morava. No armário, encontrou nove migalhas de queijo. Levou-as rapidamente, uma a uma, para a sua toca. Em cima da mesa, encontrou mais dez. Fez o mesmo. Arrumou-as muito arrumadinhas junto às outras. Fez a conta e ainda lhe faltavam dez. Como ele iria fazer para encontrar as que faltavam? Procurou por todos os lados da casa: debaixo dos armários da cozinha, em cima dos armários da cozinha, no quarto das pessoas, na varanda… Nada! Nem mais uma migalha encontrou! Muito pensativo e desgostoso ficou. Não poderia fazer a festa. Tinha vinte e nove convidados e queria oferecer-lhes, para comer, as vinte e nove migalhas.Decidiu ir para fora de casa. Foi para o prado que ficava ali perto. Andou à procura e nada encontrou. Nem uma migalhinha sequer. Andando por ali, pensativo, encontrou um ratinho do campo que ali morava. Maurício explicou a José, que era o nome do seu vizinho, que andava à procura de migalhas de queijo para fazer uma festa. A sua festa de aniversário. Ela iria realizar-se no dia seguinte. José decidiu ajudá-lo. Mas não conhecia o que eram as migalhas de queijo. Nunca tinha visto uma. Apenas conhecia as raízes tenras e os frutos secos que a floresta próxima lhe dava para a sua alimentação. Maurício explicou o que era um queijo. Falou-lhe no sabor delicioso das migalhas. Concluíram que na floresta não existem queijos e decidiram ir para casa do Maurício.Estas correrias deram cansaço e fome aos pobres ratinhos. Na casinha do Maurício, começaram a comer as migalhas de queijo que ele tinha acumulado até ao momento. Depois do repasto, refastelaram-se e adormeceram.  Apenas tinham sobrados cinco migalhas. Maurício sonhava com a sua festa de anos. José sonhava que na floresta não havia nada para comer que se comparasse ao sabor do queijo. De repente, acordaram os dois. Maurício, assustado, pensou que nunca mais conseguia juntar as vinte e nove migalhas para a sua festa. José segredou ao seu vizinho que, a partir daquele dia, passaria a morar na casa. Chegou a hora da festa e Maurício e José não tinham ainda as migalhas de queijo. Sentiam-se desolados. Tinham, no entanto, arrumado cuidadosamente a casa. Os convidados foram chegando. Cada um deles trazia, para espanto dos nossos ratinhos, uma migalha. De espanto, passou a ser de alegria o semblante de Maurício. Assim, tudo se arranjou num instante. Os convidados tinham tido a mesma ideia. Um deles, o ratinho João, confessou que tinha ouvido os soluços de Maurício e, segredando aos outros ratinhos, decidiram trazer, cada um, uma migalha para a festa. Ela foi um sucesso. “Quem tem amigos, tem tudo”


A Galinha dos Ovos de Ouro


Um camponês e sua esposa possuíam uma galinha, que todos os dias sem falta, punha um ovo de ouro. Supondo que dentro dela deveria haver uma grande quantidade de ouro, os camponeses mataram a galinha para assim ficar de uma só vez com o ouro. Tal não foi a surpresa para os dois quando, viram que a ave, em nada era diferente das outras galinhas. Assim, o casal de tolo, desejando enriquecer de uma só vez, acaba por perder o ganho diário que já tinha assegurado.
Autor: Esopo
Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

A Formiga e a Pomba

Uma Formiga foi à margem do rio para beber água, e sendo arrastada pela forte corrente, estava prestes a se afogar. Uma Pomba, que estava numa árvore sobre a água observando tudo, arranca uma folha e deixa-a cair na correnteza perto da formiga. Subindo na folha a Formiga flutua em segurança até a margem. Eis que pouco tempo depois, um caçador de pássaros, oculto pelas folhas da árvore, se prepara para capturar a Pomba, colocando visgo no galho onde ela repousa, sem que a mesma perceba o perigo. A Formiga, percebendo sua intenção, dá-lhe uma ferroada no pé. Do susto, ele deixa cair sua armadilha de visgo, e isso dá chance para que a Pomba desperte e voe para longe, a salvo.
Autor: Esopo
Moral da História: Nenhum acto de boa vontade ou gentileza é coisa em vão.

A Águia e a Gralha

Uma Águia ao sair do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e levou-a presa nas suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa.Ela então voou para alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobre uma ovelha, com a intenção de também a carregar presa às suas garras. Aconteceu que as suas garras acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, e isso a impediu inclusive de se soltar, embora o tentasse com todas as suas forças.O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Cortou-lhe as penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite levou-a para casa, e entregou como brinquedo para os seus filhos. “Que pássaro engraçado é esse?”, perguntou um deles. “Ele é uma Gralha meus filhos. Mas lhe perguntares, ele dirá que é uma Águia.”
Autor: Esopo
Moral da História: Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

A Historia do Galo da Raposa do Corvo e do Queijo


Era uma vez um galo e uma raposa. Viviam num país onde os animais falavam. Certo dia, o Galo andava nos seus afazeres, a encontrar minhocas para o seu almoço, no prado perto do galinheiro onde morava. De repente, quando levantou os olhos do chão, viu ao longe um queijo reluzente. Brilhava à luz do sol. Era redondo e branquinho como a neve. Cacarejou de satisfação! O Galo dirigiu-se, então, para o sítio onde tinha visto o queijo. Do outro lado do prado, passeava uma raposa também à procura do seu almoço. Andava à procura de ratinhos no prado. Cada vez que encontrava uma toca de rato, raspava com as patas para os encontrar. Mas eles eram mais espertos do que ela. Rapidamente se metiam para as condutas mais profundas das suas tocas. Ou então, saíam por outra abertura e iam para outra toca. De repente, a raposa levantou a cabeça e, olhando para o meio do prado, viu um queijo reluzente e branquinho a brilhar ao sol. A raposa dirigiu-se, portanto, para o sítio onde tinha visto o queijo. O prado não era muito comprido. O Galo e a Raposa, no frenesim de apanhar o queijo, nem deram conta um do outro. O Galo, com a vontade de apanhar o seu manjar não notara que ia a caminho da boca do seu maior inimigo. A Raposa, na ânsia de apanhar ela o alimento, não notara que à sua frente estava o seu melhor pitéu, um galo tenrinho. Os dois animais apenas tinham os olhos fixos no queijo. E daí não saíam. Os seus olhos eram só para o queijo. Este permanecia imóvel no centro do prado. Reluzente, branquinho e a brilhar ao sol do meio-dia. Um Corvo esvoaçava por aquelas paragens de volta ao seu ninho fresco, para repousar do sol escaldante daquela hora. Ao olhar para baixo, para o prado, viu uma Raposa em direcção a um Galo. Não achou estranho. O que achou mais estranho foi ver um Galo de encontro à Raposa. Ficou quase tonto ao ver tal imagem. Por pouco, não se desequilibrou e não caiu do seu voo. Olhando melhor, verificou que ambos corriam para um ponto reluzente no meio do prado. Olhou ainda melhor e viu que era um queijo branquinho e brilhante. Em voo picado, foi ao encontro do queijo. Com o bico, agarrou-o e elevou-se no ar. A raposa e o Galo olharam para o ladrão do seu almoço com desdém. Durante algum tempo, ficaram a olhar para o voo do Corvo. Cada um pensando que a sua comida, que ali tão perto estava, tinha sido roubada pelo ladrão mais miserável que possa existir à face da Terra. Tinha-se apossado de um bem precioso. Pelo menos precioso para cada um deles, naquele dia. Num instante, estavam a olhar para o Corvo e, no outro, a olhar-se. A surpresa e o medo do Galo contrastavam com a surpresa e a alegria da Raposa. O Galo começou a cacarejar alvoroçadamente, a correr e a esvoaçar desalmadamente na direcção do galinheiro, que ficava no fim do prado. A Raposa, em pequenos saltos de alegria, cada vez se aproximava mais do Galo. O que o salvou foi a dona do galinheiro que, ouvindo o aflitivo cacarejar do seu Galo de estimação, se assomou à porta de casa. Vendo que vinha perseguido pela Raposa, acorreu em seu auxílio. A Raposa não podendo levar por diante a sua contenda, decidiu sair dali e continuar a procurar ratinhos do prado, mais adiante. O Galo com o susto, foi-se refugiar no galinheiro e por lá ficou durante o resto do dia. Quanto ao Corvo, feliz e contente, deliciou-se com o queijo branquinho e fresquinho no seu ninho. Fora do calor abrasador do meio-dia, o Corvo adormeceu. Não longe dali, um Mocho que tudo tinha presenciado exclamou:
- O empenho na concretização dos objectivos que queremos atingir deve ser comedido e ponderar todas as situações possíveis. O Galo, pensando que bastava seguir um caminho para atingir o objectivo, por pouco não morreu nesse intento. A Raposa, não olhando todas as situações possíveis, não obteve vantagem sobre um outro objectivo que poderia ter atingido.