sábado, 12 de setembro de 2009

A Historia do Galo da Raposa do Corvo e do Queijo


Era uma vez um galo e uma raposa. Viviam num país onde os animais falavam. Certo dia, o Galo andava nos seus afazeres, a encontrar minhocas para o seu almoço, no prado perto do galinheiro onde morava. De repente, quando levantou os olhos do chão, viu ao longe um queijo reluzente. Brilhava à luz do sol. Era redondo e branquinho como a neve. Cacarejou de satisfação! O Galo dirigiu-se, então, para o sítio onde tinha visto o queijo. Do outro lado do prado, passeava uma raposa também à procura do seu almoço. Andava à procura de ratinhos no prado. Cada vez que encontrava uma toca de rato, raspava com as patas para os encontrar. Mas eles eram mais espertos do que ela. Rapidamente se metiam para as condutas mais profundas das suas tocas. Ou então, saíam por outra abertura e iam para outra toca. De repente, a raposa levantou a cabeça e, olhando para o meio do prado, viu um queijo reluzente e branquinho a brilhar ao sol. A raposa dirigiu-se, portanto, para o sítio onde tinha visto o queijo. O prado não era muito comprido. O Galo e a Raposa, no frenesim de apanhar o queijo, nem deram conta um do outro. O Galo, com a vontade de apanhar o seu manjar não notara que ia a caminho da boca do seu maior inimigo. A Raposa, na ânsia de apanhar ela o alimento, não notara que à sua frente estava o seu melhor pitéu, um galo tenrinho. Os dois animais apenas tinham os olhos fixos no queijo. E daí não saíam. Os seus olhos eram só para o queijo. Este permanecia imóvel no centro do prado. Reluzente, branquinho e a brilhar ao sol do meio-dia. Um Corvo esvoaçava por aquelas paragens de volta ao seu ninho fresco, para repousar do sol escaldante daquela hora. Ao olhar para baixo, para o prado, viu uma Raposa em direcção a um Galo. Não achou estranho. O que achou mais estranho foi ver um Galo de encontro à Raposa. Ficou quase tonto ao ver tal imagem. Por pouco, não se desequilibrou e não caiu do seu voo. Olhando melhor, verificou que ambos corriam para um ponto reluzente no meio do prado. Olhou ainda melhor e viu que era um queijo branquinho e brilhante. Em voo picado, foi ao encontro do queijo. Com o bico, agarrou-o e elevou-se no ar. A raposa e o Galo olharam para o ladrão do seu almoço com desdém. Durante algum tempo, ficaram a olhar para o voo do Corvo. Cada um pensando que a sua comida, que ali tão perto estava, tinha sido roubada pelo ladrão mais miserável que possa existir à face da Terra. Tinha-se apossado de um bem precioso. Pelo menos precioso para cada um deles, naquele dia. Num instante, estavam a olhar para o Corvo e, no outro, a olhar-se. A surpresa e o medo do Galo contrastavam com a surpresa e a alegria da Raposa. O Galo começou a cacarejar alvoroçadamente, a correr e a esvoaçar desalmadamente na direcção do galinheiro, que ficava no fim do prado. A Raposa, em pequenos saltos de alegria, cada vez se aproximava mais do Galo. O que o salvou foi a dona do galinheiro que, ouvindo o aflitivo cacarejar do seu Galo de estimação, se assomou à porta de casa. Vendo que vinha perseguido pela Raposa, acorreu em seu auxílio. A Raposa não podendo levar por diante a sua contenda, decidiu sair dali e continuar a procurar ratinhos do prado, mais adiante. O Galo com o susto, foi-se refugiar no galinheiro e por lá ficou durante o resto do dia. Quanto ao Corvo, feliz e contente, deliciou-se com o queijo branquinho e fresquinho no seu ninho. Fora do calor abrasador do meio-dia, o Corvo adormeceu. Não longe dali, um Mocho que tudo tinha presenciado exclamou:
- O empenho na concretização dos objectivos que queremos atingir deve ser comedido e ponderar todas as situações possíveis. O Galo, pensando que bastava seguir um caminho para atingir o objectivo, por pouco não morreu nesse intento. A Raposa, não olhando todas as situações possíveis, não obteve vantagem sobre um outro objectivo que poderia ter atingido.

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