O cão Sabias vivia numa casa Grande e ele pensava que aquilo era um Museu. Tinhas muitas divisões. Por vezes, perdia-se nas suas caminhadas no interior da casa. Cada divisão tinha muitos quadros, cada um mais bonito que o outro. O Sabias gostava de observar esses quadros.
Nesse dia, o pobre cãozinho apanhou um susto. Ao olhar mais em pormenor para um dos quadros viu um arco-íris que estava lá pintado. Esse arco-íris mexia-se, falava, saltando de um sítio para o outro dentro do quadro.
Ao ver o ar assustado do cãozinho, o arco-íris saltou para o chão e foi falar com ele:
- Não te assustes, eu sou apenas um arco-íris, não faço mal a ninguém. Gostava de ser teu amigo, disse o arco-íris.
O Sabias, que tinha a mania que sabia tudo, mais espantado ficou ao ver ali tão perto o arco-íris. Entretanto, depois de recomposto do susto, disse:
-Como é que tu te chamas?
- Eu chamo-me Sabias e tu? Já agora, como é que saíste do quadro?
- Eu chamo-me Turbulento e tenho uma longa história para te contar.
- Foi há muitos anos que um pintor me fez. Nessa altura as tintas eram mágicas e ele utilizou algumas delas em mim. Por isso, eu posso andar de um lado para outro e também posso falar. No entanto, não sou um verdadeiro arco-íris. Falta-me a cor violeta.
Esse dia tinha amanhecido cheio de sol. Não, não era suposto aparecer o arco-íris. Sabem, ele só aparece quando está a chover miudinho por entre o sol. Mas, naquele dia, apareceu por livre e espontânea vontade. À janela da casa, logo manhãzinha cedo, via-se um pequeno vulto a olhar para o exterior e a apreciar o lindo arco-íris que aparecia ao longe. Era o nosso amiguinho arco-íris. O arco-íris que tinha aparecido no céu, estava vestido de várias cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta e anil. Enfim, todas as cores que um arco-íris tem.
O cão Sabias tinha ficado bastante preocupado com o seu amigo Turbulento. E prometeu-lhe que o ajudaria a procurar a tinta da cor que lhe faltava. Assim, poderia ser um verdadeiro arco-íris.
Nestes pensamentos, os dois amigos foram falando um com o outro. Ali perto, o ratinho TobiasSabias, que o cumprimentou: andava nos seus afazeres diários. Procurava migalhas de comida para o seu pequeno-almoço. Ao passar por aquela divisão, vislumbrou ao longe o seu amigo
- Olá Tobias, este é o arco-íris e chama-se Turbulento. Ele fala, anda, dança, canta, faz tudo como nós.
O pequeno ratinho aproximou-se e disse:
- Olá Sabias!
- Ele contou-me que anda à procura da cor que lhe falta. Mas tem que ser a cor mágica. Gostava que nós o ajudássemos a encontrar a tinta mágica para assim lhe fazer a linha que lhe falta. É a linha violeta.
- Por mim tudo bem. Por onde vamos começar a procurar?
- Olha, já sei! Vamos procurar na cozinha. Talvez lá esteja - disse o Sabias.
Os três amigos foram procurar na cozinha. Vasculharam tudo, mas não encontraram o frasquinho de tinta mágica. Cansados, foram repousar para a sala.
De repente, o Tobias reparou que, no alto de um armário, estava uma caixa pequenina. Era uma caixa colorida e muito antiga. Tinha o ar de ser uma caixa com coisas mágicas lá dentro. Subiu ao cimo do armário e abriu-a. Lá dentro, espantado, viu uns frasquinhos pequeninos que tinham tinta. Todos estavam vazios, excepto o frasquinho com a tinta cor violeta.
Rapidamente exclamou:
-Aqui esta a tinta que procurávamos. O violeta!
-Boa, mas será que é mágica? Só a tinta mágica é que serve… - disseram ao mesmo tempo o Turbulento e o Sabias.
Não queriam pintar o amigo Turbulento com uma tinta qualquer. E se depois essa tinta não saísse. E se mais tarde encontrassem a tinta certa, depois já não o podiam pintar. Os três amigos foram pensando, então, o que deveriam fazer.
- Pintamos a caixa e se ela andar, dançar, voar e falar é porque a tinta é mágica - disse o Sabias.
- Ou então pintamos um frasquinho para ver o efeito!
- E se vocês a experimentassem? Se voarem então a tinta é mágica - disse o Turbulento.
- Boa! Vamos experimentar em nós.
Abriram com muito cuidado o frasquinho para não entornar a preciosa tinta. Com um pincel, que estava dentro da caixa, pintaram-se. De repente, começaram a voar.
- É a tinta mágica!!!
Com muito cuidado, pintaram a linha que faltava no Turbulento. Turbulento era agora o arco-íris mais bonito e verdadeiro. Pequenino, não cabia em si de contente. Os três amigos voaram para o céu. Turbulento foi direitinho ao arco-íris, que tinha aparecido logo de manhã, e, muito orgulhoso, exibiu as suas cores. Mais tarde, à noitinha, voltou para o quadro de onde tinha saído. E imóvel ficou. Já não tinha necessidade de falar, dançar, cantar e voar. Era um arco-íris perfeito. E perfeito ficava naquele quadro. O Tobias e o Sabias ficaram um pouco tristes, porque o seu amigo nunca mais falou, dançou, cantou ou voou... No entanto, cada vez que eles passavam pelo quadro, ao olharem para o sítio onde Turbulento estava, notavam que ele estava radiante e exibia as cores com muito orgulho.




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