Querido pai natal, eu sei que estas muito ocupado com os presentes nesta época. Já recebestes milhares de cartas, emails e telegramas dos outros meninos a pedirem-te diversos presentes. Chamo-me Quico e gostaria de te contar uma história sobre um menino que já á muito tempo recebe as prendas trocadas.
O nome dele é José. Vive com o seu irmão gémeo que se chama António. O António é muito traquina. Gosta muito de fazer partidas ao irmão. Mas eu acho que com as prendas que tu nos envias não se deve pegar partidas. Cada prenda é destinada a cada menino. Só ele a deve receber e apreciar. No dia de Natal, o António, levanta-se sempre muito cedo, antes do seu irmão José acordar. Troca as etiquetas que tu colocas nas prendas. Imitando a tua letra escreve outras etiquetas. Assim recebe, para além das suas prendas, algumas que são destinadas ao José. Uma maneira de o António deixar de fazer estas partidas ao irmão seria colocares as etiquetas dentro das prendas. Obrigado desde já. É que o José e o António são meus amigos. Por isso não posso contar ao José a partida que o irmão lhe faz todos os anos pelo Natal.
Não sei se ainda te lembras do meu nome? Eu chamo-me Quico e gostava que não te esquecesses de mim. Vou contar-te um pouco como correu o meu ano. Tive um comportamento irregular (umas vezes portei-me muito bem e outras muito mal) ao longo deste ano. Sei que em determinadas alturas me excedi (ultrapassei o limite) com os amigos e com a minha professora. Fiz algumas birras. Mas como já ouvi alguns adultos dizerem é próprio da minha idade. Sei reconhecer quando estou errado. Imediatamente peço desculpa. Por vezes choro um pouco pois não quero magoar os meus amigos e muito menos a minha professora, de quem eu gosto muito. A minha mãe por vezes ralha comigo em especial quando estou a comer. Sabes, demoro muito tempo a comer. Claro, só quando não gosto da comida que no entanto a minha mãe me diz que faz bem e me ajuda a crescer. Quando é pizza e lasanha rapidamente como. Gosto muito da comida italiana.
Fica já a saber que gosto muito de Bakugans. E perguntas tu o que é isso? É um novo divertimento que, nós os miúdos, temos para nos entreter quando estamos no recreio. O Jogo “Bakugan” ou “Esfera Explosiva” (Baku = explodir + Gan = esfera) traz pequenas esferas que se transformam em criaturas guerreiras que podem salvar a Terra. Repara na fotografia ao lado.
Uma vez fiz uma aposta com dois dos meus amigos. Se levasse uma “faca” (sim estas a ler bem, uma faca!) para a escola eles davam-me quatro esferas “Bakugans” para eu brincar com eles. E perguntas tu, novamente, para que é queriam eles a faca? Nunca soube, pois fui apanhado. Enquanto a minha mãe e o meu irmão estavam na sala a preparar-se para irem para a escola eu fui a cozinha tirar a faca e coloquei na minha mochila dos brinquedos. Não disse nada a minha mãe. Eu sei que fiz mal. Devia ter pedido á mama se podia levar a faca ou não. Mas não o fiz. No percurso da escola ainda tive oportunidade de o dizer. Não o fiz. Sei agora que tinha tido uma segunda oportunidade e não a aproveitei. Na escola quando a mostrei aos meus dois amigos eles foram contar aos outros amigos. Isto espalhou-se e chegou aos ouvidos da responsável por nós enquanto a professora não chegava. Quando a professora chegou ficou muita zangada comigo e disse-me que iria contar aos meus pais. Contei-lhe então tudo o que tinha planeado como os meus amigos. A professora explicou-me que não devia fazer isto. Que antes de trazer alguma coisa de casa devia pedir a mãe. Contou a minha mãe e ela pôs-me de castigo. Durante uma semana não podia trazer brinquedos para o colégio. Na altura pedi desculpa a todos. O meu pai que mora noutra casa também ficou zangado comigo.
Querido Pai Natal, apesar de tudo eu sou um menino bem comportado pois também faço coisas boas. Ajudo os colegas que tem dificuldades e defendo-os quando não fizeram nada. Explico a professora que eles estiveram ocupados a fazer outras coisas tais como desenhos ou trabalhos a brincar para descomprimir pois ser menino é muito cansativo mas divertido. Ser criança não é fácil, sabes! Deixo-os também brincar com os meus brinquedos, converso com eles, de vez em quando faço umas “asneirinhas” porque digo os resultados dos problemas aos meus colegas. É traquinice minha mas não é maldade. Certo!
Em casa vejo televisão e ajudo a mãe a limpar a louça e a arrumar a roupa. Já tomo banho sozinho! O que é uma grande ajuda para a mãe. Quando chego a casa piro-me para a sala e ligo a televisão. Sou mesmo espertalhão. Mas quando ligo logo a televisão a minha mãe chama-me para comer. Isso é muito aborrecido. Fico na dúvida se devo ir ou não. Mas eu sei que devo obedecer aos adultos. Mas o que eu quero mesmo é ver televisão. E não preciso de comer. Ou melhor eu tenho de comer senão não cresço e morro.
Querido Pai Natal, esta carta já vai longa. Vou contar-te uma maneira que a minha professora tem para nos avaliar semanalmente. O sistema que usa é o das estrelas. Ela, tem cinco estrelas para cada um: comportamento, trabalho e amigos. Por exemplo esta semana tive cinco estrelas no trabalho, uma estrela no comportamento e quatro estrelas nos amigos. O meu pior desempenho é no comportamento. Aconteceu uma situação na sexta-feira que me fez perder três estrelas. Uma das minhas colegas estava no quadro, no final das actividades, a fazer um desenho quando uma das responsáveis disse para arrumar as coisas. Eu pensando que ela não tinha ouvido fui apagar o desenho dela. Sei agora que fiz mal. A minha colega ficou chateada e fez outra vez o desenho. Eu disse-lhe que era para arrumar e apagar o desenho. Mas ela e um colega começaram a puxar-me e a empurra para continuarem a fazer o desenho. Depois eu fiquei muito zangado e decidi bater na colega. O meu colega pôs-se a frente e disse: Oh! Não bates na minha colega. E começamos a lutar. A minha colega começou a chorar. A professora ouviu e disse-me para ir buscar o caderno. E assim tirou-me três estrelas do comportamento. Disse-me que não devia ter batido na minha colega. Eu concordei com ela. Esta situação ainda agora que te estou a escrever me faz chorar. Prometi a min mesmo que não faria mais isso. Sabes, eu sou um pouco impulsivo. E acho que devo tentar controlar isso.
De tudo o que te contei, acho que me considero um bom menino, amigo e responsável. Não gosto que haja injustiças. Por vezes tenho reacções que depois me arrependo. Mas sempre que me explicam que não se deve fazer determinadas coisas eu compreendo-as e tento não repeti-las. Mas sabes como é que um menino de sete anos reagem não é. Espero que compreendas e me envies algumas prendas que aches adequadas.
P.S: A já agora, lembrei-me de uma prenda que me envias-te a uns anos. Era um comando de televisão universal. Gostei da piada. És um brincalhão. Pareceu-me na altura que tu tinhas tido uma conversa com o meu pai. Ele tinha-me dito, cansado de estar sempre a comprar comandos para a televisão, este ano o Pai Natal vai-te enviar um comando de televisão só para ti.
Um beijo grande deste menino que gosta muito de ti.
Quico
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
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