Era uma vez um menino chamado Nuno. Vivia numa quinta de uma terra muito longe daqui que se chama Austrália. Vivia juntamente com os seus pais e avós. Um dia o Nuno encontrou perto de sua casa um pequeno canguru doente. Teve muita pena dele. Perguntou a mãe se podia cuidar dele até ele ficar bom. Deu-lhe logo o nome de Pula-Puka. O Nuno gostava tanto do Pula-Puka que, todos os dias de manha o ia visitar antes de ir para a escola. Certo dia a mãe pediu ao Nuno para ir buscar lenha e pinhas á floresta próxima. Quando andava nos seus afazeres encontrou um pequeno lago onde habitava (que quer dizer morava) um velho Sapo. O Sapo era conhecido já dos seus avós por Resmungão.
- Baabooo , Baaboo eu sou o sapo resmungão. Sou muito velho. E muito resmungão. Baaboo , Baaboo, Baaboo. O que tu queres daqui?
- Oh! Não sabias que falavas! Eu já tinha ouvido falar de ti. Tinham-me dito que eras resmungão. Mas não sabia que eras assim tanto.
- Baaboo , baaboo mas o que queres tu daqui, o rapaz tonto?
- Eu quero que me digas como é que consegues entender a linguagem das pessoas? E como é que consegues falar também?
- Baaboo , baaboo então não sabes. Eu sou um mago desta floresta que uma bruxa malvada transformou em sapo. Baaboo, baaboo baaboo. Disse o sapo resmungão já muito zangado.
- Então porque é que a bruxa te transformou? Fizeste alguma maldade? Disse o Nuno.
Mas o Nuno pensou que era a bruxa que devia ser a malvada, sempre lhe tinham dito que as bruxas são más. Reformulando a pergunta (quer dizer fez a pergunta de outra forma) perguntou ao mago sapo.
- Porque é que a bruxa má te transformou em sapo? Ela deve ser muito má!
- Baaboo, baaboo! Eu andava nos meus afazeres (quer dizer a fazer o que devia fazer) que era o de fazer poções mágicas para que as plantas dêem flor. Cada vez que uma planta é regada pela poção mágica imediatamente flore-se. Quem as rega é o Sapo Feliz meu amigo. Andava eu muito contente e de repente apareceu a Valquíria a bruxa malvada que não gosta nada de flores. Ao olhar para o Sapo Feliz e para mim transformou-me em sapo também. E de repente comecei a fazer como os sapos fazem Baaboo, baaboo baaboo!
- Agora já entendo porque estas de mau humor. Então e não há nenhuma forma de desfazer esse feitiço e transformar-te novamente em mago? É que eu gostaria de ver a floresta toda florida e sem ti para fazer a poção mágica não é possível.
- Há uma forma. Só que é muito difícil. Quando aparece o arco-íris a bruxa transforma-se em estátua. Assim imóvel (quer dizer que não se pode mexer) não é muito difícil procurar na sua bolsa o anti-feitiço (quer dizer outro feitiço que desfaça o primeiro) que está num saquinho muito pequeno. Com ele posso voltar a ser mago. Mas só uma pessoa valente e corajosa é que poderá tirar da bolsa da bruxa o anti-feitiço.
- Mas isso é assim tão difícil! Não me parece. Eu próprio posso fazer isso! Disse o Nuno cheio de coragem.
- Baaboo baaboo baaboo baaboo! O nosso amigo sapo até se engasgou de felicidade. E disse mais não quantas vezes baaboo, baaboo!
Assim ficou combinado. Quando aparecesse o arco-íris o Nuno se encarregaria de ir buscar o anti-feitiço á bolsa da bruxa. O Nuno já quase se tinha esquecido do recado que a mãe lhe tido dado. Muito apressadamente procurou alguns ramos e pinhas e foi rapidamente para casa. Os dias passaram e de vez enquanto o Nuno ia visitar o seu amigo Resmungão. Passavam horas a fio a conversar. Conversavam sobre o sapo feliz e o Pula-PuKa. Do primeiro ninguém mais o tinha visto. Do segundo a cada dia que passava melhorava. Num certo dia o Pula-PuKa foi também visitar o Resmungão junto com o Nuno. Ficaram logo amigos. Enquanto o Nuno procurava ramos e pinhas o Resmungão subia para o dorso (quer diz costas) do Pula-Puka e faziam grandes correrias.
Nestes entretanto, a bruxa andava atarefada a fazer maldades. Uma das suas maldades preferidas era transformar uns animais noutros. Assim, colocava assas nos coelhinhos e orelhas grandes nos passarinhos. Os passarinhos com as grandes orelhas não conseguiam voar e os coelhinhos com as assas não conseguiam saltar. Era uma grande maldade e a bruxa ria-se ao ver os pobres animais aflitos.
-Ih, Ih, Ih! Sou muito maldosa ih, ih, ih! Dizia a bruxa com a cara e a boca feia como só as bruxas têm.
Ela transformava os animais em duendes e os duendes em animais. Nenhum sabia o que fazer.
Ma o dia do fim destas maldades chegou. Era um dia cheio de sol. Uma nuvem muito escura tinha-se aproximado da floresta onde os nossos amiguinhos viviam. Nuno encontrava-se em casa a fazer os deveres da escola. Olhou para a janela do seu quarto e deu um pulo de alegria.
- Hoje vai aparecer o arco-íris. Hoje vai ser o fim das maldades da bruxa da floresta. Exclamou ele ao mesmo tempo que vestia um casaco e descia as escadas de dois em dois degraus.
A mãe ainda lhe perguntou onde ia, mas Nuno apressadamente respondeu que tinha que ajudar um amigo da floresta.
Chamou o Pula-Puka e os dois foram correndo (claro o Nuno a correr e o Pula-Puka a salta) a caminho do pequeno lago onde Resmungão morava. Em três tempos começou a chuviscar. As pequenas gotas de água tornaram-se ainda maiores. O arco-íris fez a sua aparição. Resmungão que apesar de estar na forma de sapo não tinha perdido todos os seus poderes mágicos. Para ale de ter o poder de fazer a poção magica para criar flores, ainda tinha o poder de saber onde estavam todos. Disse para o Nuno:
- Baaboo, baaboo! A bruxa está em estátua ao pé do monte das nogueiras do Esquilo sonhador. Vai lá rapidamente e traz-me o anti-feitiço por favor.
Nuno e Pula-Puka foram imediatamente ao sítio que já conheciam de outras visitas á floresta. Para serem mais rápidos o Nuno subiu para o dorso do Pula-Puka. E de salto em salto rapidamente encontraram a bruxa imóvel. Com muito cuidado retiraram da sua bolsa o anti-feitiço. De salto em salto voltaram para o pé do Resmungão. Sem perder tempo lançaram o pó que estava no pequeno saquinho por cima dele. Imediatamente o Resmungão mudou de aparência (ou seja voltou ao normal). Mudaram de aparência também todos os outros animais. A pobre bruxa ficou feita em estátua para todo o sempre. Parecia uma árvore velha ressequida e retorcida, como aquelas que por vezes vemos nas florestas e que por vezes ao escurecer nos assustam. Assim sempre que encontrarem uma velha árvore retorcida no meio da floresta ela é a bruxa má que em tempos apavorou essa floresta. Sim que todas as florestas tem uma bruxa má. Se não encontrarem essa árvore retorcida e a floresta não tiver nenhuma flor na altura da primavera ou os animais andarem escondidos é por que ainda anda a solta a bruxa má dessa floresta.
Quanto aos nossos amiguinhos o Resmungão voltou a ser o fazedor de poção mágica fazendo com que a floresta florisse todas as primaveras. O Pula-Puka ficou muito melhor e cresceu. Um certo dia despediu-se dos seus amigos e foi viver para uma terra distante onde viviam os seus familiares cangurus. Quanto a Nuno sempre que podia ia visitar o seu amigo Resmungão.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
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